O Movimento Água é Vida (MAV) completou 28 anos de fundação nesta quarta-feira (21/05/2025). Criado em 21 de março de 1997 em Feira de Santana, o MAV atua em questões relacionadas ao abastecimento de água, saúde pública e meio ambiente em diversos municípios baianos. A entidade foi qualificada em 2024 como Organização da Sociedade Civil (OSC) na área de saúde, o que permite sua atuação em gestões municipais por todo o país, conforme informado por José Carlos dos Passos, representante do movimento, durante pronunciamento na Tribuna Livre da Câmara Municipal.
Histórico e motivação para a criação do MAV
Segundo José Carlos, o MAV surgiu após um episódio ocorrido no primeiro semestre de 1997 envolvendo o atendimento inadequado a uma adolescente de 13 anos no Hospital Estadual Clériston Andrade (HGCA). A jovem faleceu no dia seguinte ao retorno para casa, fato que motivou uma mobilização popular pela saúde em Feira de Santana, incluindo uma missa ecumênica realizada em 21 de maio daquele ano em frente ao hospital, com apoio do então bispo Dom Itamar Vian.
Após a mobilização inicial, o movimento organizou dois seminários para discutir os problemas enfrentados pela população, realizados no Colégio Padre Ovídio e na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), com a participação de aproximadamente 312 pessoas.
Atuação contra a privatização do abastecimento de água
A projeção estadual do MAV ocorreu em 2001, quando o então governador César Borges enviou à Assembleia Legislativa um projeto para privatizar o serviço de abastecimento de água, gerido pela Embasa. O movimento organizou uma campanha em Feira de Santana contra a privatização, especialmente após a aprovação da medida pela Câmara Municipal.
Uma iniciativa popular protocolada com mais de 24 mil assinaturas solicitou a revogação da privatização no município. O movimento influenciou a mobilização em vários municípios da região e levou ao recuo de políticos estaduais, conforme relatou José Carlos. O ex-senador Antônio Carlos Magalhães chegou a negar a intenção de privatização publicamente, o que resultou na revogação da lei aprovada pelos municípios.
Conquistas e expansão da atuação
Desde então, o MAV consolidou sua atuação no estado da Bahia, contribuindo para a criação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que anteriormente funcionava como departamento subordinado à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDUR).
Projetos atuais e desafios financeiros
Atualmente, o MAV desenvolve seis projetos, entre eles o “MAV Recicla”, que coleta óleo de fritura usado para evitar seu descarte inadequado em pias e esgotos. Conforme José Carlos, o óleo pode comprometer a tubulação e contaminar até um milhão de litros de água.
A entidade funciona com trabalho voluntário, mas enfrenta desafios financeiros. José Carlos destacou a necessidade de apoio do Legislativo local para manter os trabalhos, apontando que o movimento encerra cada mês com um déficit aproximado de R$ 10 mil e não possui veículo para a coleta dos materiais.
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