Observatório Antares de Feira de Santana: Trajetória de jovens idealistas à integração universitária

Dois jovens entusiastas da ciência, Carlos Bacelar e Augusto César Orrico, idealizaram a criação do Observatório Astronômico Antares, após o primeiro receber de sua mãe um telescópio, instrumento que despertou o interesse do segundo. O projeto ganhou forma com o apoio de amigos e autoridades públicas, tornando-se uma das principais estruturas do tipo no país. Inaugurado em 1971, o Antares se consolidou por duas décadas como um centro de observação astronômica relevante, até ser incorporado à Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) em 1992.

A origem do Observatório Astronômico Antares remonta à amizade entre Carlos Bacelar e Augusto César Orrico, moradores da Rua Barão de Cotegipe, em Feira de Santana. O ponto de partida ocorreu com o presente dado por Maria Edite Bacelar ao filho, um telescópio, que imediatamente foi compartilhado com o vizinho. A proposta de fundar um observatório surgiu da observação do céu, mas os jovens sabiam das limitações financeiras.

O pai de Augusto, o professor de Inglês César Orrico, levou a ideia adiante, apresentando-a ao deputado Áureo de Oliveira Filho, que articulou apoio junto ao governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães. Com a adesão de nomes como José Olympio, Egberto Costa, Nailson Chaves, Zadir Porto e o professor Leopoldo, o projeto avançou. A Prefeitura cedeu um terreno no Jardim Cruzeiro e o fotógrafo Antônio Ferreira Magalhães iniciou, com os filhos, a limpeza da área e a construção da cerca de isolamento.

Augusto Orrico e Antônio Magalhães se capacitaram em fotografia astronômica no Observatório de Juiz de Fora, identificando um telescópio de médio porte como ideal. O equipamento foi adquirido com recursos viabilizados por Ângelo Calmon de Sá, a pedido do governador. O trabalho inicial, conduzido de forma voluntária por uma equipe liderada por Orrico, envolveu nomes como José Ângelo Leite Pinto, Gemicrê Nascimento Silva, Ulisses Lemes Bezerra e Antônio Carlos de Graças Souza.

A produção científica incluiu o Anuário Astronômico Antares, boletins mensais e divulgação de fenômenos esporádicos. A carta celeste “O Céu da Bahia”, associada à publicação de tábuas de maré, fases da lua e previsões astronômicas, consolidou o caráter técnico do observatório. O engenheiro eletrônico Drance Amorim, ex-colaborador da NASA, contribuiu com a criação de um relógio de quartzo com elevado grau de precisão.

A diretoria obteve junto à Receita Federal um fotoheliógrafo e, posteriormente, um Telescópio Laser. Entre os principais registros realizados pelo Antares, destacou-se a observação da passagem do cometa Halley, em 1986. Dificuldades financeiras levaram ao fechamento do centro e à sua oferta ao município, que não pôde assumir sua manutenção. Com isso, em 28 de agosto de 1992, o Antares foi formalmente integrado à Universidade Estadual de Feira de Santana.


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