A União Europeia (UE) avalia revisar o acordo de associação com Israel, após denúncias de violações de direitos humanos cometidas durante a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza. A iniciativa foi apresentada por França e Países Baixos, que pediram à Comissão Europeia a verificação do cumprimento do artigo 2 do tratado, o qual exige respeito mútuo aos direitos humanos.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (20/05/2025) pelo ministro francês da Europa e das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, em entrevista à rádio France Inter. O artigo em questão determina que a cooperação entre as partes deve estar condicionada ao respeito por princípios democráticos e direitos fundamentais.
Barrot afirmou que, caso a Comissão conclua que Israel não cumpre suas obrigações, o acordo pode ser suspenso, afetando diretamente relações comerciais e políticas. O chanceler reforçou que nenhuma das partes tem interesse no encerramento do tratado, mas que a situação humanitária em Gaza exige uma resposta.
Entrada de ajuda humanitária em Gaza é considerada insuficiente
Barrot também criticou a decisão de Israel de permitir a entrada de cerca de 100 caminhões com ajuda humanitária, chamando a medida de “totalmente insuficiente”. O ministro francês defendeu que a assistência internacional à população palestina seja massiva, contínua e sem bloqueios.
A Organização das Nações Unidas (ONU) foi autorizada a coordenar o envio da ajuda, mas alertou que a entrada de suprimentos ainda está aquém das necessidades básicas da população.
Cresce pressão internacional contra ofensiva israelense
Enquanto bombardeios israelenses continuam em diversas regiões da Faixa de Gaza, o número de vítimas civis aumenta. Segundo informações da Defesa Civil de Gaza, ao menos 44 pessoas morreram nas últimas horas. O governo do Catar, que atua como mediador entre Israel e Hamas, alertou que a ofensiva compromete qualquer possibilidade de acordo de paz.
A ofensiva israelense recebeu críticas públicas de França, Canadá e Reino Unido, que emitiram uma declaração conjunta na segunda-feira (19/05), exigindo que Israel facilite o acesso humanitário ao território palestino e cessasse sua operação militar.
Reação de Israel e acusações a líderes ocidentais
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, respondeu às críticas, acusando os líderes ocidentais de “recompensarem o Hamas”. Em nota, afirmou que pedir o fim da ofensiva antes da libertação de reféns e da rendição do grupo palestino equivale a incentivar novos ataques.
Netanyahu declarou que a guerra terminará apenas com a libertação dos reféns sequestrados em 07/10/2023 e com o desarmamento completo do Hamas, grupo considerado uma organização terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia.
Especialistas apontam impasse político e isolamento diplomático de Israel
Segundo Denis Charbit, professor da Universidade Aberta de Israel, o governo Netanyahu enfrenta pressões internas de setores ultranacionalistas para manter a ofensiva. No entanto, o analista destaca o crescente isolamento diplomático de Israel, especialmente diante da recusa em aceitar condições exigidas para um cessar-fogo.
Charbit afirma que um acordo duradouro exigiria a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza e a reformulação do papel político do Hamas no enclave, condições que ainda não foram aceitas por nenhuma das partes.
OMS alerta para fome e colapso humanitário
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta segunda-feira (19/05) que dois milhões de pessoas estão em risco de fome em Gaza. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, responsabilizou o bloqueio à entrada de alimentos e medicamentos pela deterioração das condições de vida no território.
Apesar disso, Netanyahu anunciou uma retomada limitada da ajuda humanitária, alegando que a decisão foi tomada por razões diplomáticas, diante da pressão de aliados para evitar imagens de fome em massa.
Bombardeios continuam e impasse nas negociações persiste
Mesmo com negociações indiretas ocorrendo em Doha, no Catar, não houve avanço nas conversas entre Israel e Hamas. Segundo o Exército israelense, mais de 160 alvos foram atingidos no último domingo (18/05), incluindo postos de lançamento de mísseis e túneis subterrâneos.
A situação gera reação de líderes internacionais e da sociedade civil. O papa Leão XIV, em sua missa inaugural no domingo (18/05), citou o sofrimento da população civil e pediu atenção à situação em Gaza.
*Com informações da RFI.
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