O Brasil e a Interpol assinaram, na segunda-feira (09/06/2025), uma declaração de intenções para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado transnacional. O acordo foi formalizado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sede da organização, em Lyon, na França.
A iniciativa tem como objetivo reforçar ações conjuntas entre os órgãos de segurança pública brasileiros e a Interpol, que reúne 196 países. Segundo o presidente Lula, o avanço da criminalidade transnacional exige cooperação multilateral urgente, especialmente em áreas como o enfrentamento à lavagem de dinheiro e o desmantelamento de redes criminosas internacionais.
Durante a cerimônia, o presidente ressaltou que o crime organizado se comporta como uma estrutura empresarial multinacional, com ramificações em diferentes setores da sociedade, e que o enfrentamento a essas organizações exige integração entre países, inteligência policial e ações coordenadas.
Objetivos da declaração
A declaração assinada entre o Brasil e a Interpol estabelece diretrizes para:
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Ampliar a colaboração internacional contra o crime organizado
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Desarticular organizações criminosas transnacionais e suas redes de apoio
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Modernizar a estrutura tecnológica e institucional dos órgãos de segurança da América Latina
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Promover a proteção de grupos vulneráveis e o respeito aos direitos humanos
O ato representa uma prioridade da política externa brasileira voltada para a segurança pública e para o fortalecimento do multilateralismo no combate a crimes de grande impacto social e econômico.
Liderança brasileira na Interpol
Desde novembro de 2024, a Interpol é comandada pelo delegado da Polícia Federal, Valdecy Urquiza, eleito secretário-geral da instituição. É o primeiro representante de um país em desenvolvimento a assumir o cargo em 100 anos de existência da organização.
Durante o evento, Lula destacou a nomeação de Urquiza como um reconhecimento à credibilidade do Brasil no combate ao crime organizado. O presidente também condecorou o delegado com a Ordem de Rio Branco, no grau de Grande Oficial.
Urquiza afirmou que o novo acordo servirá de modelo para aprofundar a integração internacional na segurança pública. Ele anunciou a criação de uma força-tarefa internacional, com apoio da Interpol, voltada para o combate a organizações criminosas atuantes na América do Sul. A força contará com especialistas, dados de inteligência e recursos tecnológicos compartilhados.
Atuação da Interpol
A Interpol tem como foco a investigação e combate a crimes como:
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Tráfico de seres humanos
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Exploração sexual infantil
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Tráfico de drogas e armas
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Crimes cibernéticos e ambientais
Urquiza destacou que os 19 bancos de dados da Interpol foram acessados mais de 8 bilhões de vezes em 2024, demonstrando o papel central da organização no intercâmbio de informações entre agências de segurança. Ele mencionou ainda que a Interpol já resgatou mais de 48 mil vítimas e identificou mais de 18 mil criminosos ligados à exploração sexual infantil nos últimos anos.
Durante a solenidade, a Interpol concedeu a Lula uma medalha de reconhecimento por sua atuação no combate ao crime transnacional.
Encerramento da agenda na França
O evento na sede da Interpol marcou o fim da agenda oficial do presidente Lula na França, iniciada em 05 de junho. Entre os compromissos, destacou-se o encontro com o presidente Emmanuel Macron, além da assinatura de acordos bilaterais nas áreas de segurança, saúde, educação e ciência. Lula também participou de eventos culturais e recebeu homenagens de instituições francesas. A comitiva presidencial retorna ao Brasil ainda nesta segunda-feira, com chegada prevista em Brasília às 20h30.
*Com informações da Agência Brasil.










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