Cardeal Parolin destaca dívida ecológica e desigualdade entre Norte e Sul global em encontro em Roma

Secretário de Estado do Vaticano defende mudança na arquitetura financeira internacional para enfrentar impactos ambientais e sociais.
Secretário de Estado do Vaticano defende mudança na arquitetura financeira internacional para enfrentar impactos ambientais e sociais.

Durante o encontro “Dívida Ecológica”, realizado no sábado (21/06/2025) na Sala Júlio César, no Capitólio, em Roma, o cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, ressaltou a injusta desproporção entre os danos ambientais causados pelas nações ricas do Norte global e o sofrimento dos países mais pobres do Sul global. O evento ocorreu no âmbito do Jubileu dos Governantes e Administradores e reuniu representantes governamentais e administradores locais.

Na abertura do discurso, Parolin citou a homilia da Missa de início do pontificado de Leão XIV para destacar o contexto histórico marcado por discórdia, violência, preconceitos e exploração dos recursos naturais, que afetam principalmente os mais vulneráveis. Segundo ele, há uma incapacidade atual de ouvir o outro e reconhecer as oportunidades de cooperação baseada no respeito e na consciência da interligação entre todos os seres.

O cardeal ressaltou que o desafio atual é construir um mundo novo pautado na paz, com diálogo social e esperança, conforme os “sinais dos tempos”.

Dívida ecológica e financeira: mudanças necessárias

Parolin afirmou que o compromisso com a redução do impacto ambiental deve ser associado à reestruturação da dívida financeira internacional. Ele defendeu a necessidade de uma mudança profunda na arquitetura financeira global, não apenas incluindo cláusulas sobre mudanças climáticas nas dívidas, mas reformulando o sistema financeiro para que ele atenda às populações e não apenas às potências credoras.

O cardeal explicou que as decisões sobre taxas de juros e moedas estão concentradas nos bancos centrais e fundos privados, e que os contratos financeiros são regulados pelos países que abrigam as bolsas de valores. As intervenções do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial são baseadas nos interesses dos principais acionistas, que são as nações credoras. Parolin criticou o atual quadro para reestruturação da dívida por favorecer velhas e novas potências em detrimento das populações devedoras.

Demandas políticas por justiça e inclusão

O senador Pier Ferdinando Casini, presidente honorário da União Interparlamentar e presidente do encontro, destacou a importância de que a política atenda ao “dever de proteger o bem comum” e promova a distribuição justa dos recursos.

Roberto Gualtieri, prefeito de Roma, afirmou que o conceito de dívida ecológica evidencia a responsabilidade dos países desenvolvidos em relação às nações em desenvolvimento. Francesco Rocca, presidente da Região do Lácio, reforçou a necessidade de ouvir os mais pobres para implementar políticas eficazes e representativas.

Papel da Europa na redução da desigualdade

O ex-primeiro-ministro italiano Mario Monti, senador vitalício, defendeu que a Europa, por sua tradição de democracia liberal e Estado de Direito, deve estar na linha de frente na resolução das desigualdades entre Norte e Sul do mundo.

*Com informações do Vatican News.


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