O conflito entre Irã e Israel atingiu novos patamares nesta semana, com trocas de ataques diretos, declarações de autoridades e mobilização internacional. Após anos de tensões indiretas por meio de aliados e operações clandestinas, os dois países agora enfrentam uma escalada aberta, com operações militares que causaram centenas de mortes e impactos geopolíticos imediatos.
O Exército de Israel lançou ataques aéreos contra bases de mísseis e drones no oeste do Irã, nesta terça-feira (17/06/2025), ampliando o confronto iniciado na madrugada da sexta-feira (13/06/2025). A cidade iraniana de Tabriz, que abriga uma base da força aérea, foi alvo das ofensivas. Em Teerã, explosões atingiram a sede da emissora estatal IRIB, enquanto em Tel Aviv e Jerusalém houve registros de estilhaços e incêndios.
Mortes e danos
Segundo o Ministério da Saúde do Irã, os ataques israelenses já deixaram 224 mortos e mais de 1.200 feridos. Por outro lado, o governo de Israel informou 24 mortos e 592 feridos após os ataques iranianos. Além disso, Israel afirmou ter eliminado comandantes militares e cientistas nucleares iranianos, além de destruir cerca de um terço da capacidade de lançamento de mísseis do Irã.
O porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Effie Defrin, declarou que o país conquistou “total superioridade aérea sobre Teerã”.
Objetivos militares israelenses
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que a ofensiva visa três objetivos principais:
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Eliminação do programa nuclear iraniano
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Destruição da capacidade de produção de mísseis balísticos
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Desarticulação de grupos armados apoiados pelo Irã no Oriente Médio
Netanyahu também não descartou a possibilidade de ações diretas contra o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
Contra-ataques do Irã
O Irã reagiu com ataques de drones a Tel Aviv e Haifa, que, segundo o Brigadeiro-General Kiomars Heidari, atingiram infraestruturas estratégicas israelenses. A mídia estatal iraniana afirmou que também foram atingidos a Diretoria de Inteligência Militar de Israel e o centro do Mossad.
O Exército iraniano prometeu “novos ataques violentos com armas de alta precisão e poder destrutivo” nas próximas horas. A defesa aérea iraniana foi ativada no oeste do país após as novas investidas israelenses.
Evacuação e medidas emergenciais
Diante da escalada, o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu publicamente a evacuação imediata de Teerã. A China, Índia e Tailândia também recomendaram ou prepararam a retirada de seus cidadãos da região.
Israel ordenou a evacuação do Distrito 3 em Teerã, antes do ataque à emissora IRIB. O Irã, em resposta, emitiu alertas de evacuação para veículos de imprensa israelenses.
Reações diplomáticas
A comunidade internacional busca conter a escalada. A China pediu uma redução imediata das tensões, e a Turquia se ofereceu como facilitadora do diálogo. O G7, reunido no Canadá, fez um apelo conjunto por desescalada, mas Trump se recusou a assinar a declaração, defendendo medidas firmes contra o Irã.
O presidente francês Emmanuel Macron advertiu que a derrubada do regime iraniano seria um “erro estratégico”, e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer reiterou a necessidade de consenso para evitar um conflito maior.
Impacto no G7 e decisões dos EUA
O conflito dominou os debates do primeiro dia da cúpula do G7, desviando o foco de temas econômicos e climáticos. Trump deixou a reunião antes do previsto e convocou o Conselho de Segurança Nacional para reunião de emergência em Washington.
Em declarações posteriores, Trump reafirmou sua oposição ao programa nuclear iraniano e reforçou a política de “pressão máxima” contra Teerã, sem dar detalhes sobre possíveis novas ações militares.
Instalações nucleares e riscos
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que não há indícios de danos à usina subterrânea de Natanz, principal centro de enriquecimento de urânio do Irã, apesar das explosões. Os níveis de radiação permanecem dentro da normalidade, segundo o diretor Rafael Grossi.
Acordos paralelos e propostas controversas
Apesar da tensão, Trump anunciou um acordo comercial com o Reino Unido e reuniu-se com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para discutir negociações comerciais e o conflito na Ucrânia. Também propôs a reintegração da Rússia ao G7, contrariando a maioria dos membros.
*Com informações da RFI e CNN.








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