Nesta quinta-feira (26/06/2025), o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, declarou que o programa nuclear do Irã sofreu danos significativos em decorrência dos ataques ocorridos desde 13 de junho, no contexto da guerra entre Israel e Irã. A avaliação inicial foi apresentada durante entrevista à Rádio França Internacional (RFI), em Paris.
Segundo Grossi, as instalações de enriquecimento de urânio de Natanz, Isfahan e Fordow foram duramente atingidas por mísseis lançados pelos Estados Unidos, gerando danos físicos muito consideráveis. A AIEA ainda não possui uma análise completa dos impactos, mas suas equipes técnicas utilizam imagens de satélite e conhecimento prévio das estruturas para estimar a gravidade da situação.
“Conhecemos essas instalações de cor porque estamos lá. (…) Já sabemos que, pela potência desses ataques e pelas características técnicas das centrífugas, essas centrífugas não são mais operacionais”, afirmou Grossi.
A AIEA expressa preocupação com a localização de cerca de 400 kg de urânio altamente enriquecido, cujo paradeiro permanece incerto desde o início das hostilidades. A agência declarou que perdeu visibilidade sobre o material, mas não confirma que esteja perdido ou escondido.
Cooperação internacional e obrigações do Irã
Grossi reforçou que a cooperação do Irã com a AIEA é uma obrigação legal estabelecida pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), do qual o país é signatário. Ele criticou qualquer possibilidade de Teerã restringir o acesso dos inspetores e destacou que a presença da agência não é um gesto de boa vontade, mas um dever internacional.
“O Irã é membro do TNP e, como tal, deve ter um sistema de inspeção. (…) Suspender unilateralmente a cooperação significaria uma nova crise”, afirmou.
A declaração foi reiterada após o Parlamento iraniano votar pela suspensão da colaboração com a AIEA. Apesar disso, Grossi afirmou que não espera uma medida definitiva nesse sentido por parte das autoridades iranianas.
Declarações paralelas
Na quarta-feira (25/06/2025), Grossi já havia declarado ao canal France 2 que a colaboração com o Irã deve continuar mesmo em meio ao conflito. Questionado sobre a declaração do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que afirmou que os ataques atrasaram o programa iraniano em décadas, Grossi considerou a avaliação como uma opinião política e não técnica.
“Essa abordagem cronológica sobre armas de destruição em massa não me inspira confiança”, declarou.
*Com informações da RFI.










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