Facções brasileiras podem ser abastecidas por armas desviadas após fim do conflito ucraniano, indicam especialistas

Especialistas alertam para risco de aumento no armamento e capacitação de grupos criminosos com experiência militar adquirida na Ucrânia.
Especialistas alertam para risco de aumento no armamento e capacitação de grupos criminosos com experiência militar adquirida na Ucrânia.

O encerramento do conflito entre Rússia e Ucrânia pode gerar impacto direto na segurança pública do Brasil devido ao possível desvio de armas e retorno de combatentes com treinamento militar para o país, conforme análise de especialistas e relatório recente da Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC).

Desde o início do conflito, Estados Unidos e aliados europeus enviaram grande quantidade de armas, incluindo lançadores de granada propulsada por foguete (RPG), sistemas portáteis de defesa aérea (MANPADS), metralhadoras pesadas e fuzis de assalto à Ucrânia. O relatório do GI-TOC destaca que o pós-guerra pode resultar no tráfico dessas armas para a América Latina, com possibilidade de chegada ao Brasil.

Além do armamento, a presença de mercenários e combatentes estrangeiros no front ucraniano, incluindo integrantes de facções brasileiras como o Comando Vermelho (CV), pode representar risco pela transmissão de técnicas de combate ao crime organizado nacional. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, durante a Conferência Internacional contra o Crime Organizado no Rio de Janeiro, confirmou que integrantes do crime organizado brasileiro estão no conflito com o objetivo de adquirir conhecimento militar.

Especialistas em segurança pública avaliam que o desmoronamento do Exército ucraniano ampliou o número de mercenários, incluindo combatentes de países da América Latina. Francisco Carlos Teixeira da Silva, professor da UFRJ, cita colombianos ligados a milícias narcotraficantes e a conexão destes com facções brasileiras como o PCC, facilitando o recrutamento e o treinamento internacional.

Paulo Henrique Montini dos Santos Ribeiro, pesquisador da UFCG, informa que cerca de 200 a 250 brasileiros lutam ao lado ucraniano e alerta para as dificuldades de reintegração social desses combatentes ao retornarem ao Brasil. Ribeiro ressalta o risco de aproveitamento desse conhecimento por organizações criminosas, especialmente na utilização de drones e outras doutrinas militares.

Embora ainda não haja evidências concretas do impacto dos conhecimentos militares ucranianos nas operações das facções brasileiras, especialistas apontam a crescente ameaça da infiltração de armamentos modernos e contatos entre criminosos do Leste Europeu e brasileiros. O mercado clandestino europeu já registrou a presença dessas armas, o que pode indicar futuro aumento no armamento das organizações criminosas no Brasil.

Ribeiro destaca que o Brasil pode enfrentar um novo ciclo de violência enquanto as forças de segurança se adaptam a esse cenário. O especialista também alerta para a necessidade de estudos aprofundados para compreender o alcance dessas redes e seus efeitos no combate ao crime organizado.

*Com informações da Sputnik News.


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