Os gastos globais com armas nucleares superaram US$ 100 bilhões em 2024, conforme o relatório anual divulgado pela Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN). O levantamento inclui os investimentos realizados por nove países com arsenais atômicos: China, Coreia do Norte, França, Índia, Israel, Paquistão, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos.
De acordo com o documento, os valores gastos seriam suficientes para alimentar os 345 milhões de pessoas que enfrentam fome grave no mundo por quase dois anos. A comparação busca evidenciar o impacto potencial de uma redistribuição orçamentária em escala global. O relatório também aponta que os recursos investidos poderiam financiar o orçamento anual das Nações Unidas quase 28 vezes ou apoiar iniciativas de combate às mudanças climáticas e proteção ambiental.
Distribuição dos investimentos
Os Estados Unidos lideraram os gastos em 2024, com um total de US$ 56,8 bilhões, valor superior ao de todos os outros países somados. Em seguida, aparecem:
-
China: US$ 12,5 bilhões
-
Reino Unido: US$ 10,4 bilhões
-
Rússia: pouco mais de US$ 8 bilhões
-
França: US$ 6,8 bilhões
-
Índia: US$ 2,6 bilhões
-
Israel e Paquistão: cerca de US$ 1 bilhão cada
-
Coreia do Norte: US$ 630 milhões
O estudo também menciona os países que abrigam armas nucleares estrangeiras, como Bélgica, Alemanha, Itália, Países Baixos e Turquia, ainda que não possuam arsenais próprios.
Tendência de crescimento e desafios diplomáticos
Segundo a ICAN, houve um aumento de aproximadamente 11% nos gastos em relação ao ano anterior. Isso representa US$ 3.169 por segundo, US$ 274 milhões por dia e US$ 1,9 bilhão por semana aplicados no desenvolvimento ou manutenção de armamentos nucleares. A tendência ocorre mesmo após declarações conjuntas, como a firmada em 2022 por potências nucleares, reconhecendo que “uma guerra nuclear não pode ser vencida e nunca deve ser travada”.
O relatório também foi divulgado em um contexto de tensão geopolítica, após um ataque de Israel ao programa nuclear do Irã. O episódio reacendeu debates sobre proliferação e uso estratégico de armamentos nucleares, elevando preocupações sobre segurança global.
Atuação da ICAN
Fundada em 2007, a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares é uma coalizão de organizações da sociedade civil com atuação em mais de 100 países. Em 2017, a ICAN foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho em promover o Tratado para a Proibição das Armas Nucleares, adotado pela ONU. O grupo segue mobilizando esforços para fomentar a adesão ao tratado e a eliminação progressiva desses armamentos.
*Com informações da Vatican News.










Deixe um comentário