Nesta terça-feira (17/06/2025), mais de 50 pessoas foram mortas e mais de 200 ficaram feridas após ataques das forças israelenses em uma área próxima a um centro de distribuição de alimentos em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza. As informações foram divulgadas pelas equipes de resgate locais e pela Defesa Civil da região.
De acordo com o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmoud Bassal, os ataques ocorreram quando milhares de palestinos se aglomeraram para receber farinha distribuída pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), instituição apoiada por Estados Unidos e Israel. Bassal informou que os ataques começaram com disparos de drones israelenses e foram seguidos por projéteis lançados por tanques do Exército de Israel.
O Ministério da Saúde de Gaza, ligado ao governo do Hamas, confirmou o registro de 51 mortos e mais de 200 feridos levados ao hospital Nasser, em Khan Younis. Além disso, outras quatro pessoas foram mortas na região de Rafah, também no sul do território.
O coordenador de ONGs locais na Faixa de Gaza, Eyad Amawi, afirmou que a distribuição de alimentos foi interrompida após apenas dez minutos devido ao ataque. Amawi criticou a atuação da Fundação Humanitária de Gaza, sugerindo que as operações deveriam ser conduzidas pelas Nações Unidas, que teriam maior conhecimento e capacidade para gerenciar a ajuda humanitária e evitar incidentes.
O Exército israelense confirmou a ocorrência do ataque, afirmando estar em processo de análise dos fatos. A corporação destacou que uma aglomeração foi identificada próximo a um caminhão de distribuição de ajuda que foi atingido, assim como nas proximidades das tropas israelenses na área.
Interrupção dos serviços médicos em Gaza
No norte da Faixa de Gaza, o hospital Al Ahli, um dos últimos centros médicos em funcionamento, enfrenta dificuldades para atender pacientes devido aos constantes bombardeios e à falta de recursos. Segundo relatos, trabalhadores removem escombros para permitir a circulação de ambulâncias, enquanto a escassez de medicamentos e materiais para primeiros socorros persiste.
O chefe do escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Gaza, Alessandro Maracchi, afirmou que esforços estão sendo feitos para reativar os serviços de emergência e fisioterapia no hospital.
Contexto do conflito
A ofensiva israelense na Faixa de Gaza foi intensificada em maio de 2025, com o objetivo declarado de libertar reféns e eliminar o movimento Hamas, após o ataque inicial deste grupo em outubro de 2023, que resultou na morte de 1.219 pessoas em Israel, conforme dados oficiais. Em resposta, a operação israelense causou, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, pelo menos 55.493 mortes na Faixa de Gaza, número reconhecido pela ONU como confiável.
Desde março de 2025, Israel mantém um bloqueio sobre Gaza, parcialmente relaxado em maio, situação que contribui para a grave escassez de alimentos, medicamentos e outros bens essenciais no território.
*Com informações da RFI.










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