Nesta quarta-feira (04/06/2025), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decretou a prisão da deputada federal Carla Zambelli, que anunciou ter deixado o país. A decisão determina ainda o bloqueio dos passaportes, inclusive o diplomático, do salário da parlamentar e de quaisquer verbas de gabinete pagas pela Câmara dos Deputados.
Os valores bloqueados serão utilizados para o pagamento das multas impostas pela condenação da deputada por invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Além disso, todos os bens e contas da parlamentar, incluindo contas bancárias, imóveis e móveis, foram bloqueados.
Moraes também ordenou que as empresas responsáveis por plataformas digitais bloqueiem, em até duas horas após notificação, o acesso aos perfis de Zambelli no X, Facebook, Instagram, YouTube, TikTok, LinkedIn, Telegram e GETTR. Caso a deputada continue a publicar conteúdos que reiterem condutas criminosas, será aplicada multa diária de R$ 50 mil, mesmo que as publicações ocorram em perfis de terceiros.
A Polícia Federal foi instruída a incluir o nome de Carla Zambelli na lista da Interpol e a informar seu paradeiro para que possa ser solicitada sua extradição.
A decisão atende ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentado na terça-feira (03/06/2025), e tem como base a condenação de Zambelli pela Primeira Turma do STF, que fixou pena de dez anos de prisão.
“Carla Zambelli anunciou [nesta terça-feira] que, após a condenação por esta Suprema Corte, se evadiu do distrito da culpa, fugindo do território nacional e que vai ‘voltar a ser a Carla que era antes das amarras que essa ditadura nos impôs’”, destacou Moraes em sua decisão.
O ministro também ressaltou que Zambelli, em entrevista ao canal AuriVerde Brasil, admitiu ter transferido suas redes sociais para o nome da mãe, visando contornar bloqueios e continuar a disseminar informações falsas sobre o processo eleitoral brasileiro.
Zambelli foi condenada por participar da invasão ao sistema do CNJ com o auxílio do hacker Walter Delgatti, que também foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão no mesmo processo.
Além da pena criminal, a deputada foi condenada à perda do mandato parlamentar após o esgotamento de recursos. A expectativa é que os embargos de declaração sejam julgados entre sexta-feira (06/06/2025) e 13 de junho. Caso mantida a decisão, Zambelli e Delgatti deverão pagar R$ 2 milhões em danos morais coletivos.
Paralelamente, a deputada responde a outro processo criminal no STF, no qual é ré por ter sacado uma arma de fogo em via pública e perseguido o jornalista Luan Araújo, episódio ocorrido pouco antes do segundo turno das eleições de 2022.
Outro lado
Em nota oficial, Carla Zambelli classificou a prisão como “ilegal, inconstitucional e autoritária”.
“Nossa Constituição é clara: um deputado federal só pode ser preso em flagrante e por crime inafiançável. Nada disso ocorreu. Ainda assim, um único ministro decidiu, de forma monocrática, rasgar o devido processo legal, ignorar a imunidade parlamentar e violentar a democracia.”
A parlamentar criticou também o bloqueio das contas do Instagram de seu filho, João Zambelli, e de sua mãe, Rita Zambelli, pré-candidata a deputada federal.
Zambelli informou que denunciará a “perseguição” em fóruns internacionais.
*Com informações da Agência Brasil.








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