O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a inteligência artificial está intensificando a propagação do discurso de ódio em escala global. A declaração foi feita durante as atividades em alusão ao Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, promovido pela ONU.
Guterres alertou que algoritmos tendenciosos e o uso indiscriminado de plataformas digitais estão facilitando a disseminação de conteúdo tóxico, criando ambientes virtuais propícios a assédio e abuso. Segundo ele, o discurso de ódio avança mais rápido e com maior alcance do que nunca.
O dirigente ressaltou que o fenômeno já causou impactos significativos ao longo da história, servindo como base para violências e atrocidades cometidas em diversos períodos sombrios da humanidade. Grupos étnicos e religiosos minoritários continuam sendo os mais atingidos, enfrentando discriminação, exclusão social e violência.
Como resposta, Guterres reiterou o compromisso da ONU com medidas estruturadas, como o Pacto Digital Global, aprovado pelos Estados membros durante a Cúpula do Futuro em 2024, e os Princípios Globais para a Integridade da Informação, lançados em 2023. As iniciativas visam fortalecer a cooperação internacional no enfrentamento aos discursos de ódio no ambiente digital.
Aliança das Civilizações e combate à discriminação
O alto representante da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, Miguel Ángel Moratinos, também se pronunciou. Ele destacou que a entidade, criada há 20 anos, tem atuado para promover a convivência pacífica entre diferentes culturas, religiões e identidades.
Moratinos afirmou que a organização busca não apenas combater a discriminação religiosa, mas utilizar os aspectos culturais e espirituais como ferramentas para mediação e prevenção de conflitos.
Atualmente, Moratinos também é o enviado especial da ONU para o Combate à Islamofobia. Ele informou que está em desenvolvimento um plano específico para conter o crescimento do ódio anti-islâmico, que tem apresentado aumento significativo, especialmente na África e na Ásia. A comunidade muçulmana, composta por cerca de 2,5 bilhões de pessoas, representa quase um terço da população mundial.
Enfrentamento ao antissemitismo
Além da islamofobia, Moratinos é responsável pelo acompanhamento do antissemitismo no âmbito das Nações Unidas. Em janeiro de 2024, ele anunciou o Plano de Ação da ONU para Reforçar o Acompanhamento e a Resposta ao Antissemitismo, motivado pelo crescimento de ataques a judeus em diversas regiões, especialmente após os ataques de 7 de outubro de 2023, quando grupos armados palestinos atacaram Israel.
Segundo o representante, o episódio representou o maior número de assassinatos de judeus em um único dia desde o Holocausto. Desde então, a ONU tem monitorado o aumento de incidentes antissemitas na Europa e nos Estados Unidos, incluindo agressões a indivíduos e atos de vandalismo contra instituições judaicas.
*Com informações da ONU News.








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