Os parlamentares das comissões de Relações Exteriores (CREs) dos países que compõem o Brics se reuniram nesta terça-feira (03/06/2025) no Congresso Nacional, em Brasília, para discutir instrumentos de desenvolvimento sustentável, fortalecimento econômico e integração financeira do bloco. As discussões fazem parte da programação preparatória do 11º Fórum Parlamentar do Brics, que ocorre nesta quarta e quinta-feira (04 e 05/06/2025).
Na parte da manhã, a primeira reunião teve como foco o fortalecimento do comércio entre os países membros do Brics. Na parte da tarde, foram realizadas a segunda e a terceira reuniões, que discutiram, respectivamente, a promoção de investimentos e transferência de tecnologia para o desenvolvimento sustentável, e instrumentos financeiros para um Brics mais resiliente e sustentável.
Integração e Desenvolvimento Sustentável
O presidente da CRE da Câmara dos Deputados do Brasil, Felipe Barros (PL-PR), conduziu a segunda reunião e destacou que o Brasil valoriza princípios como soberania, desenvolvimento econômico, paz e prosperidade.
“A integração econômica é essencial nesta era de transformações. Os países do Brics são protagonistas nesse novo cenário global”, afirmou Felipe Barros.
O parlamentar ressaltou que, em 2001, os países do bloco detinham 7% do PIB mundial e que, atualmente, representam cerca de 40% da economia global, com potencial para crescimento contínuo.
O deputado Sergei Rachkov, de Belarus, defendeu cooperação econômica, redução estratégica de impostos e investimentos em tecnologia.
O representante da Indonésia, Hussein Fadlulloh, destacou a importância da transferência de tecnologia como instrumento fundamental para viabilizar a transição energética e garantir segurança alimentar.
“Esse é um ponto importante para a Indonésia, pois buscamos a suficiência alimentar para nossa população”, declarou Fadlulloh.
O deputado brasileiro Marcel Van Hattem (Novo-RS) associou o desenvolvimento sustentável à liberdade econômica e política, criticando práticas que, segundo ele, possam transformar o Brics em um instrumento de confrontação.
“O Brics não deve se transformar em um instrumento de enfrentamento. Temos que construir pontes”, afirmou Van Hattem.
O parlamentar indiano Vivec Thakur chamou a atenção para os impactos das mudanças climáticas e a necessidade de investimentos internacionais para redução das emissões de gases tóxicos.
“A integração de investimentos é fundamental para garantir o desenvolvimento sustentável. Isso afeta todo o nosso futuro”, alertou Thakur.
Instrumentos Financeiros e Fortalecimento do NDB
A terceira reunião teve como foco a criação de instrumentos financeiros que garantam resiliência econômica e sustentabilidade ao Brics.
O fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como Banco do Brics, foi apontado como estratégia central para fomentar o desenvolvimento, principalmente no sul global, além de promover negociações utilizando moedas locais.
O deputado Felipe Barros reiterou a importância da soberania financeira, defendendo que as decisões do bloco estejam alinhadas com os interesses nacionais e regionais, sem dependência de agentes externos.
“Segurança estratégica significa garantir que o Brasil cresça com liberdade e autonomia nas relações internacionais”, afirmou Barros.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Rússia, Gregori Karasin, destacou que as instituições financeiras devem atuar sem viés político, priorizando os interesses coletivos e o respeito às particularidades de cada país.
O parlamentar do Irã, Ahmad Naderi, defendeu a criação de um escudo financeiro, com investimentos conjuntos para reduzir a dependência dos países do Norte.
“As propostas apresentadas hoje podem criar uma estrutura mais resiliente para o Brics”, declarou Naderi.
O representante da China, Wang Ke, defendeu a reforma financeira internacional, o fortalecimento do NDB e o uso de moedas locais para dinamizar o comércio entre os países do bloco.
“Precisamos de mais financiamento em infraestrutura, ciência e tecnologia, além de ampliar as vozes do sul global”, disse Wang Ke.
O deputado brasileiro Pedro Campos (PSB-PE) reforçou a necessidade de independência financeira e fortalecimento do comércio interno do bloco.
“Um mundo multipolar não precisa continuar seguindo as diretrizes de uma única moeda. Precisamos dinamizar o comércio entre os países do Brics”, afirmou Campos.
O senador indiano Surendra Singh Nagar destacou que o Brics representa 40% da população mundial e do PIB global, o que demonstra a importância do bloco na reorganização econômica internacional.
“O financiamento em áreas estratégicas é essencial para garantir desenvolvimento sustentável e crescimento inclusivo”, defendeu Nagar.
Encerramento e Síntese das Discussões
O presidente da CRE do Senado do Brasil, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), avaliou positivamente os encontros e destacou o papel das comissões parlamentares no fortalecimento dos acordos multilaterais.
“Tivemos a oportunidade de conhecer experiências e compartilhar práticas legislativas que serão fundamentais para a ampliação do debate público nas nossas comissões”, afirmou Trad.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) ressaltou que as reuniões apontaram os caminhos para o fortalecimento do Brics e defendeu uma reforma na arquitetura internacional, mais comércio livre e compromisso ambiental.
“A diplomacia parlamentar tem um papel fundamental nesse processo. O Brics não é um fim em si mesmo, mas um instrumento para um mundo mais plural e justo”, concluiu a senadora.
*Com informações da Agência Senado.
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