O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou em depoimento à Polícia Federal (PF) que advogados ligados à defesa de Bolsonaro mantiveram contato com sua filha menor de idade, com sua esposa e com sua mãe com o objetivo de obter informações e interferir no conteúdo da delação premiada firmada com o Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o depoimento prestado na terça-feira (24/06/2025), Cid relatou que identificou interações constantes por meio de aplicativos como WhatsApp e Instagram entre sua filha e os advogados Fábio Wajngarten e Luiz Eduardo de Almeida Kuntz entre setembro de 2023 e início de 2024. Kuntz atua na defesa do coronel Marcelo Câmara, também réu na investigação sobre tentativa de golpe de Estado.
O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no STF sobre o suposto “núcleo crucial” da trama golpista, determinou na quarta-feira (25/06/2025) que a PF colha os depoimentos dos advogados Fábio Wajngarten e Paulo Cunha Bueno, este último defensor de Bolsonaro. A decisão foi tomada com base na suspeita de obstrução de Justiça, apontada pela defesa de Mauro Cid.
Interações e abordagens
Mauro Cid negou, em depoimento, ter discutido o conteúdo da colaboração com Kuntz ou qualquer vínculo com o perfil “Gabrielar702” no Instagram, alegando que os supostos áudios atribuídos a ele teriam sido editados e gravados sem seu conhecimento.
A empresa Meta, responsável pelo Instagram, informou ao STF que o perfil foi criado com o e-mail maurocid@gmail.com, e a Google confirmou que esse endereço eletrônico tem data de nascimento vinculada ao militar. Ainda assim, Cid afirmou não reconhecer o perfil como de sua autoria.
O tenente-coronel também relatou que sua família foi abordada presencialmente em eventos realizados em hípicas de Brasília e São Paulo, descritos por ele como encontros “supostamente fortuitos”. Em um dos episódios, segundo Cid, sua mãe, Agnes, foi abordada pelo advogado Paulo Bueno durante uma competição em que sua filha participava.
Cid afirmou acreditar que as abordagens foram estratégias para obter informações sobre os depoimentos prestados em sua colaboração e para desencorajar o prosseguimento do acordo com o STF. Segundo ele, as tentativas exploraram a inocência da filha menor de idade para atingir tal objetivo.
Repercussão jurídica
O advogado Luiz Eduardo Kuntz alegou que teria conversado com Cid no início de 2024 sobre a delação, o que, segundo ele, violaria o sigilo legal do acordo e poderia anular a colaboração. O argumento foi apresentado ao STF.
Em resposta, Moraes determinou a prisão de Marcelo Câmara, cliente de Kuntz, por entender que houve violação de medidas cautelares e tentativa de contato indevido com outros investigados por meio de seu defensor.
O advogado Paulo Cunha Bueno ainda não se pronunciou. A Agência Brasil tenta contato com sua assessoria. Já Fábio Wajngarten, em postagem nas redes sociais após a decisão de Moraes, declarou que “a criminalização da advocacia é uma cortina de fumaça para tentar ocultar a falta de voluntariedade do réu delator Mauro Cid”.
*Com informações da Agência Brasil.
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