A Dinamarca assumiu nesta terça-feira (01/07/2025) a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, com mandato até o final de dezembro de 2025. Com a nova liderança, Copenhague passa a definir a agenda política e coordenar os trabalhos legislativos do bloco, concentrando esforços em segurança e defesa, transição energética e competitividade econômica.
Agenda climática e nova meta para 2040
Um dos principais desafios da presidência dinamarquesa será a negociação da nova meta de redução de emissões da União Europeia até 2040, prevista para ser apresentada pela Comissão Europeia nesta quarta-feira (02/07/2025). A proposta visa reduzir em 90% as emissões de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 1990, embora alguns Estados-membros já tenham sinalizado resistência a metas ambiciosas.
Para viabilizar o objetivo, a Comissão avalia flexibilizações para setores industriais e o uso de créditos internacionais de carbono. Organizações ambientais defendem a antecipação da neutralidade climática para 2040, enquanto a Dinamarca deverá liderar as negociações em fóruns internos e durante a COP30, marcada para novembro, em Belém (PA).
O ministro dinamarquês do Clima e Energia, Lars Aagaard, será o responsável por coordenar a atuação do bloco europeu nas tratativas climáticas internacionais, num momento em que os Estados Unidos demonstram recuo no compromisso com o Acordo de Paris.
Defesa europeia e orçamento militar
A pauta de segurança também terá centralidade no mandato da Dinamarca. Após um referendo em 2022, o país passou a integrar a política de segurança e defesa da UE, encerrando três décadas de não participação. O novo contexto geopolítico, acentuado pela guerra na Ucrânia, motivou a mudança de postura do governo dinamarquês, que agora defende o reforço do orçamento europeu para a área de defesa.
A primeira-ministra, Mette Frederiksen, afirmou que o fortalecimento militar do continente “é essencial para garantir a segurança europeia”. O governo dinamarquês abandonou sua postura fiscal conservadora e já não integra mais o grupo dos chamados “Frugais”, que historicamente defendem contenção de gastos no orçamento do bloco.
As negociações para o novo orçamento da União Europeia, que abrangerá o período de 2028 a 2034, terão início após o verão europeu. Espera-se que a presidência dinamarquesa coordene os debates sobre o aumento dos investimentos em defesa, com base nos compromissos da Otan para atingir 5% do PIB dos países membros na área militar.
Questão da Groenlândia e tensões com os EUA
Outra pauta sensível diz respeito à Groenlândia, território semi-autônomo ligado à Dinamarca e com importância estratégica no Ártico. O governo dos Estados Unidos retomou o interesse pela aquisição da ilha, rica em minérios e posicionada entre os hemisférios.
O ex-presidente norte-americano Donald Trump, de volta ao cargo, transformou a antiga sugestão informal de compra em proposta oficial do governo norte-americano. A primeira-ministra dinamarquesa respondeu que a decisão sobre o futuro da Groenlândia cabe exclusivamente aos seus habitantes.
A situação gerou reações irônicas na Dinamarca. Circulou entre diplomatas europeus uma proposta fictícia de “compra da Califórnia”, como resposta simbólica à iniciativa americana. A brincadeira mencionava a criação de uma nova “Nova Dinamarca” e a mudança do nome da Disneylândia para “Hans Christian Andersenland”.
*Com informações da RFI.








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