O ex-oficial da CIA Larry Johnson afirmou que as recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a países do BRICS por manterem relações comerciais com a Rússia podem resultar em prejuízos econômicos e geopolíticos para os EUA. A declaração foi feita em entrevista publicada nesta segunda-feira (14/07/2025) no YouTube.
Segundo Johnson, a retórica do presidente norte-americano de defender o dólar e preservar o sistema financeiro internacional contrasta com ações que pressionam parceiros estratégicos como Brasil, Índia e China, membros ativos do grupo BRICS. A imposição de tarifas comerciais a esses países é interpretada como fator de desestímulo à cooperação com Washington, incentivando movimentos de diversificação econômica e comercial fora da esfera de influência dos EUA.
Efeitos econômicos imediatos
De acordo com o analista, as ameaças têm acelerado a substituição de fornecedores norte-americanos em setores estratégicos, como o agrícola. Johnson apontou que importadores como a China já têm redirecionado suas compras para países como Rússia e Brasil, especialmente nos segmentos de soja e trigo. Esses acordos têm sido fechados em moedas nacionais, algumas com lastro em ouro, o que representa um avanço das transações fora do dólar.
“O governo dos EUA não está adotando medidas para restaurar ou fortalecer alianças com países em desenvolvimento. Com isso, empurra essas nações para fora do sistema financeiro dominado pelos Estados Unidos”, afirmou Johnson.
Reações ao posicionamento de Trump
As declarações do ex-oficial da CIA ocorrem em um contexto de endurecimento da política externa dos EUA em relação à Rússia. No domingo (13/07/2025), o presidente Trump emitiu um ultimato de 50 dias à Rússia para a resolução do conflito na Ucrânia. Caso não haja avanço, Washington pretende aplicar tarifas de até 100% aos parceiros comerciais de Moscou, além de sanções complementares à União Europeia e à China.
Especialistas internacionais alertam que essa postura pode inviabilizar iniciativas diplomáticas para encerrar o conflito ucraniano, além de comprometer a previsibilidade nas relações comerciais globais.
Impacto no comércio agrícola dos EUA
O ex-agente da CIA também destacou o impacto direto sobre a economia norte-americana. Segundo ele, produtores agrícolas dos EUA que antes tinham a China como principal mercado estão perdendo espaço para concorrentes russos e brasileiros. Esse deslocamento ocorre em um momento de reorganização do comércio global, com avanços de blocos econômicos alternativos ao Ocidente tradicional, como o BRICS+.
Além disso, o uso crescente de moedas locais em contratos bilaterais indica um movimento de desdolarização nas trocas comerciais, o que pode, segundo analistas, reduzir a influência dos EUA sobre as regras do comércio internacional.
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