Exatamente um ano após o segundo turno das eleições legislativas antecipadas na França, a coalizão de esquerda Nova Frente Popular consolidou sua vitória, impedindo a extrema direita de conquistar a maioria. Apesar disso, o resultado criou um cenário político complexo para o presidente Emmanuel Macron, que se recusou a nomear um primeiro-ministro de esquerda, rompendo com a tradição e aprofundando sua situação de isolamento.
A imprensa francesa destaca que o presidente se mantém em uma posição fragilizada, com baixa aprovação popular e dificuldade para avançar reformas na Assembleia Nacional. O jornal Libération questiona se a estratégia de dissolução da Assembleia, adotada por Macron para antecipar as eleições, não se transformou em uma “armadilha”, já que o presidente resiste a convocar novas eleições mesmo diante do impasse.
Com aprovação de apenas 22% para o governo e 14% para o primeiro-ministro François Bayrou, Macron enfrenta a perspectiva de um desgaste político crescente. Segundo o Libération, o presidente parece condenado a conviver com uma “frustração” política, sem maioria clara para governar.
Fragmentação e imobilismo na Assembleia Nacional
O jornal Les Echos destaca que a Assembleia permanece dividida em três blocos principais: esquerda, governistas do centro e extrema direita. Essa fragmentação tem dificultado a aprovação de medidas legislativas importantes, tornando o Parlamento palco de moções de censura, debates acalorados e confrontos verbais. A ausência de uma base sólida para o governo tem levado a um ritmo legislativo lento, com os deputados governistas praticamente sem apresentar projetos de lei relevantes.
O Senado, controlado pela direita, tem assumido papel predominante no processo legislativo, o que contribui para a sensação de paralisação política. Conforme Les Echos, essa situação projeta um quadro em que Macron chegará aos seus dois últimos anos de mandato “extremamente enfraquecido e solitário”.
Crescimento da extrema direita e novas lideranças
Diante do contexto de estagnação, a extrema direita tem ampliado sua presença política. O jornal Le Figaro ressalta que, embora a líder Marine Le Pen esteja inelegível, ela recentemente fez um apelo para que seu campo político “não procrastine” em vista das próximas eleições presidenciais, previstas para menos de dois anos.
Na sequência, a nova liderança da direita radical pode estar nas mãos de Jordan Bardella, jovem de 29 anos e membro do Reunião Nacional, que tem ganhado destaque e aparece como a personalidade política favorita dos franceses, segundo pesquisa divulgada pelo instituto Elabe. Essa ascensão indica uma possível mudança de rumo na disputa presidencial e no equilíbrio político do país.
*Com informações da RFI.
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