A inflação nos Estados Unidos registrou uma alta de 2,7% em junho, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados na terça-feira (15/07/2025) pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS). O resultado representa a maior variação desde fevereiro e está diretamente associado às tarifas comerciais implementadas pelo ex-presidente Donald Trump, que começam a impactar significativamente os preços ao consumidor.
Tarifas elevam preços de eletrodomésticos, móveis e roupas
Os setores mais atingidos pela alta de preços são justamente aqueles afetados pelas tarifas impostas a parceiros comerciais dos EUA. Em junho, os eletrodomésticos subiram 1,9%, ante 0,8% no mês anterior. Os móveis tiveram alta de 1%, e as roupas, de 0,4%, revertendo quedas acumuladas em meses anteriores.
A inflação núcleo, que exclui alimentos e energia, também apresentou aceleração, atingindo 2,9% em relação ao ano anterior e 0,2% no mês de junho. A tendência preocupa o mercado, pois indica pressão sustentada sobre o custo de vida, com potencial de propagação para outros setores da economia.
Produtos brasileiros podem ser impactados por novas tarifas
Entre os alvos recentes das novas tarifas está o Brasil, que pode sofrer a aplicação de tarifas de 50% sobre exportações aos EUA a partir de quinta-feira (01/08/2025). A medida atinge produtos-chave como café, carne bovina e suco de laranja.
O café é um dos mais afetados. Além das tarifas, o produto já registra alta global causada por secas no Brasil e no Vietnã. O preço médio de 450g de café moído passou de US$ 5,99 para US$ 7,93 em um ano. Com a nova tarifa, o valor ao consumidor americano pode subir ainda mais, afetando a demanda em supermercados, cafeterias e restaurantes.
Analistas alertam que, se mantidas as tarifas previstas para entrar em vigor em 1º de agosto, atingindo também União Europeia, Canadá, México, Japão, Coreia do Sul e Tailândia, o aumento de preços poderá se tornar mais abrangente, reduzindo o consumo e ampliando o risco de recessão.
Demissões federais ampliam tensão econômica e social
Paralelamente à alta da inflação, o governo dos EUA iniciou demissões em massa em departamentos federais, após decisão da Suprema Corte que suspendeu liminares que bloqueavam os cortes. O Departamento de Saúde confirmou o desligamento de 10 mil funcionários, com outros 10 mil saindo de forma voluntária — o que representa 25% da força de trabalho do setor.
No Departamento de Educação, também houve autorização judicial para a demissão de aproximadamente 1.400 servidores. As medidas fazem parte da agenda de redução do tamanho do Estado, com foco em descentralização administrativa e corte de gastos públicos.
Especialistas alertam que a diminuição do quadro de funcionários públicos pode comprometer a oferta de serviços essenciais, além de reduzir a renda disponível das famílias afetadas, pressionando ainda mais a economia doméstica em meio ao avanço dos preços.
*Com informações da RFI.










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