Especialistas consultados pela Sputnik Brasil avaliaram os impactos do aumento da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras de carne bovina, prevista para vigorar a partir de 1º de agosto de 2025. Embora o mercado interno apresente potencial para absorver parte da produção afetada, os analistas destacam que essa realocação demandará estímulos econômicos e mudanças estruturais, não se configurando como solução imediata ou substituta completa das exportações para os EUA.
Impacto imediato da tarifa e suspensão de embarques
Com a imposição da tarifa extra de 50%, frigoríficos do Mato Grosso do Sul suspenderam temporariamente a produção destinada aos Estados Unidos, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). O setor de carne bovina está entre os mais afetados, juntamente com os de café e suco de laranja.
Renan Silva, gestor da Bluemetrix Asset, ressaltou que os EUA representam cerca de 12% das exportações brasileiras de carne bovina, destacando a importância do mercado norte-americano:
“Se as tarifas de 50% forem aplicadas, podem desencadear uma crise sem precedentes no setor.”
Mercado interno como alternativa, mas com desafios
Silva destacou que o Brasil possui um consumo represado no mercado doméstico, mas o ambiente atual — de inflação elevada, juros altos e endividamento das famílias — dificulta a absorção imediata da carne redirecionada.
“O país precisaria melhorar o ambiente interno para que o mercado consumidor seja capaz de absorver essa produção. Isso demanda um replanejamento que pode levar de 10 a 20 anos.”
Ampliação de mercados internacionais e negociação
O gestor também apontou que o Brasil vem ampliando mercados externos, como o aumento das exportações para os Emirados Árabes Unidos, mas substituir os EUA não é simples.
“O melhor caminho continua sendo a negociação para flexibilizar as tarifas e preservar a parceria comercial.”
Capacidade do mercado interno segundo Scot Consultoria
Alcides Torres, CEO da Scot Consultoria, avaliou que as exportações para os EUA correspondem a cerca de 2% da produção brasileira total de carne bovina, o que viabiliza a realocação.
“A carne brasileira é exportada para mais de 100 países, possui qualidade reconhecida e é competitiva em preço e prazo.”
Contudo, ele classificou a medida dos EUA como um embargo prático:
“Com 50% de tarifa, o produto brasileiro fica desinteressante para importadores norte-americanos. Na prática, é um embargo.”
Desafios para o agronegócio e perspectivas econômicas
Gustavo Bertotti, economista da Fami Capital, afirmou que o Brasil é fortemente dependente de commodities e que as barreiras tarifárias terão impacto sobre os preços internos.
“A substituição do mercado dos EUA envolve custos de entrada e concessões comerciais, que afetam a lucratividade das empresas.”
Bertotti apontou que, mesmo sem efeitos imediatos, frigoríficos podem revisar suas previsões financeiras:
“Há expectativa de revisão nas projeções de receita para o segundo semestre e o próximo ano.”
Necessidade de ação governamental
Os analistas concordam que o governo deve agir com rapidez para mitigar os efeitos:
“O governo precisa negociar diretamente com os EUA. O cenário macroeconômico brasileiro já vem se deteriorando com inflação e juros altos.”
*Com informações da Sputnik News.











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