Ministra Simone Tebet afirma que custo das rotas de integração sul-americana será mínimo diante dos benefícios

Ministra destaca investimentos e impacto positivo das rotas para competitividade e desenvolvimento regional.
Ministra destaca investimentos e impacto positivo das rotas para competitividade e desenvolvimento regional.

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou em audiência na Câmara dos Deputados que o benefício das Rotas de Integração Sul-Americana supera amplamente os custos envolvidos. A declaração ocorreu durante reunião conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle; Viação e Transportes; e Integração Nacional e Desenvolvimento Regional.

Segundo Tebet, as cinco rotas que conectam o Brasil aos países vizinhos serão beneficiadas por 190 obras incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com orçamento total de R$ 60 bilhões. Além disso, o programa conta com uma carteira própria de financiamento bancário de 10 bilhões de dólares. Essas rotas abrangem diversos modais, como rodovias, ferrovias, hidrovias, infovias, portos e aeroportos.

Ao ser questionada sobre a possibilidade de insuficiência de recursos para concluir os projetos, a ministra descartou paralisações em “obras faraônicas”, citando um trabalho conjunto com governadores, secretários de planejamento e parlamentares para adequar os projetos ao orçamento e aos acordos entre países da América do Sul.

Tebet ressaltou que nenhum recurso público será usado para financiar obras no exterior, especificando que o BNDES não financiará obras na Venezuela ou Argentina, destinando seus recursos exclusivamente para estados e municípios brasileiros.

A participação financeira inclui o BNDES com aporte de 3 bilhões de dólares, complementados por outros R$ 7 bilhões provenientes de instituições como o Banco do Brics e o Banco Mundial.

Aumento da competitividade e proximidade com a Ásia

A ministra destacou que as rotas irão melhorar a competitividade das exportações brasileiras, aproximando as regiões produtoras dos portos do Pacífico, principalmente no Chile e Peru, o que facilitará o acesso ao maior mercado consumidor mundial, a Ásia.

O Porto de Chancay, no Peru, identificado como maior investimento chinês na região, foi citado como ponto estratégico da rota que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, partindo de Belém e com previsão de conclusão para setembro de 2025. Com essa rota, Tebet estimou que o trajeto das exportações pode ser reduzido em até três semanas, economizando cerca de 10 mil quilômetros de distância.

Ferrovia bioceânica e investimentos futuros

Questionada sobre a rota bioceânica em parceria com a China, Tebet afirmou que a ferrovia terá “custo zero” para o Brasil, já que os chineses investem por interesse comercial e que o projeto ainda está em fase de estudo, sem compromissos firmados para contratação de empresas estrangeiras.

Ela explicou que a construção será responsabilidade do próximo governo, que definirá os processos por meio de licitação pública, e que o empreendimento será desenvolvido em etapas, com expectativa de atrair investimentos externos.

Desenvolvimento regional e modais de transporte

A ministra afirmou que as rotas vão contribuir para o desenvolvimento das regiões mais pobres do país, especialmente as fronteiriças, e que não haverá competição com infraestruturas já existentes.

Como exemplo, Tebet citou o estado de São Paulo, onde 54% das exportações são destinadas à América do Sul, mas 80% do volume ainda é transportado por rodovia, modal que ela classificou como ineficiente, reforçando a necessidade da integração multimodal.

Sobre a rota que integra Roraima com a Guiana e Venezuela, Tebet informou que a conexão entre o Amapá e a Guiana Francesa está prevista para ser entregue até o final de 2026. No entanto, a ligação de Roraima com Georgetown ainda não tem data definida para conclusão.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias.


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