Ministro Alexandre de Moraes decide não prender Jair Bolsonaro por descumprimento de cautelar

Ministro reconheceu violação pontual, mas afirmou que medida não justifica prisão preventiva.
Ministro reconheceu violação pontual, mas afirmou que medida não justifica prisão preventiva.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (24/07/2025) não decretar a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, apesar de reconhecer que houve violação da proibição de uso de redes sociais. Segundo Moraes, o episódio, relacionado a uma publicação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro no Facebook, foi pontual e não representa risco suficiente para justificar a detenção.

Decisão do ministro

Em seu despacho, Moraes afirmou que a postagem, feita após a ida de Bolsonaro ao Congresso Nacional, demonstrou uma tentativa de burlar a medida cautelar imposta.

“Na presente hipótese, na veiculação pelas redes sociais de discurso proferido por Jair Messias Bolsonaro na Câmara dos Deputados por seu filho, também investigado, constata-se a tentativa de burlar a medida cautelar”, escreveu o ministro.

No entanto, Moraes considerou que não houve descumprimentos reiterados e levou em conta as explicações da defesa, que negou qualquer intenção de violar as restrições.

Alcance das medidas

O ministro explicou que as cautelares não impedem Bolsonaro de conceder entrevistas ou se manifestar publicamente, mas alertou para a proibição de uso de redes sociais de forma indireta, com publicações feitas por terceiros de maneira coordenada. “Justiça é cega, mas não é tola”, disse Moraes, destacando que tais práticas são características de ações digitais organizadas para atacar instituições.

Contexto internacional

Moraes também mencionou que declarações e atos públicos de Bolsonaro têm sido usados para influenciar autoridades estrangeiras, com riscos à soberania nacional. A referência foi às sanções impostas pelo governo de Donald Trump aos ministros do STF e ao aumento tarifário de 50% sobre produtos brasileiros, previsto para entrar em vigor em 01/08/2025.

Trump justificou a medida alegando que há uma suposta perseguição política contra Bolsonaro. Em carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente norte-americano defendeu a anistia do ex-chefe do Executivo brasileiro.

Inquérito em andamento

Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro são investigados por tentativa de intimidar o STF e obter apoio internacional para o arquivamento do processo em que o ex-presidente é acusado de planejar um golpe de Estado. Segundo Moraes, Bolsonaro teria admitido em juízo o envio de R$ 2 milhões para financiar ações políticas de seu filho nos Estados Unidos.

As medidas cautelares contra Bolsonaro foram confirmadas pela Primeira Turma do STF na segunda-feira (21/07/2025), por 4 votos a 1. Votaram a favor Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, enquanto Luiz Fux foi contrário, por não ver risco de fuga.

*Com informações da Agência Brasil.


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