Paciência e legado: o tempo como valor civilizacional segundo Joseval Carneiro

Em artigo intitulado “O segredo dos chineses”, publicado por Joseval Carneiro em 2025 no veículo Tribuna da Bahia, o jornalista, escritor e vice-presidente da Academia de Cultura da Bahia propõe uma análise sobre o valor do tempo e da paciência, em contraposição à urgência e ao imediatismo característicos das sociedades ocidentais contemporâneas. O autor recorre a exemplos históricos e culturais para defender que a serenidade diante do tempo é um dos maiores legados civilizatórios da humanidade.

A cultura chinesa e a virtude da espera

Segundo Carneiro, a China se destaca por sua concepção milenar do tempo, marcada pela ausência de ansiedade e pela capacidade de esperar. “A China não tem pressa. Cultura milenar, não tem estresse, ansiedade ou depressão, ao modo ocidental de hoje. Saber esperar é sua maior dádiva”, afirma o autor.

Para ilustrar essa perspectiva, ele narra o exemplo de um tecelão chinês que, questionado sobre o prazo para concluir um tapete artesanal, responde com tranquilidade: “Se eu não conseguir, meus netos o terminarão.” A passagem reforça a ideia de que, para certas culturas, o tempo não é um fator limitante, mas sim um aliado no aperfeiçoamento das obras humanas.

Monumentos que desafiam o tempo

O autor também recorre à história da arte e da arquitetura para sustentar seu argumento. Menciona obras como a Catedral de Colônia, na Alemanha, o teto da Capela Sistina, no Vaticano, e a Catedral de Notre-Dame, em Paris — construções que demandaram séculos de trabalho e dedicação contínua, refletindo o compromisso das civilizações com a beleza duradoura.

Em contraste, cita a Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, que permanece inacabada mesmo após 140 anos, por ser impossível a outros artistas manterem o estilo original de Antoni Gaudí, com suas linhas curvas e inusitadas. Nesse ponto, Carneiro reforça a sabedoria do provérbio popular: “A pressa é inimiga da perfeição.”

O tempo como medida da vida

Além dos exemplos culturais, o texto reflete sobre o próprio funcionamento da natureza. O autor observa que a posição da Terra em relação ao Sol é ideal para a sustentação da vida, pois qualquer variação significativa na distância ou na velocidade de rotação comprometeria a habitabilidade do planeta. “Se mais afastado, morreríamos de frio; se mais próximo, morreríamos torrados”, escreve Carneiro, afirmando: “Deus sabe o que faz.”

Tempo, eternidade e espiritualidade

Ao final de sua reflexão, Joseval Carneiro propõe uma visão espiritual do tempo, sustentando que a existência não se limita à vida terrena. “Sejamos bem conectados. Mesmo porque a vida é eterna.” A frase encerra o artigo com um apelo à interiorização e ao resgate de valores essenciais, em um mundo dominado por excessos de velocidade, consumo e fugacidade.

*Contato do autor Joseval Carneiro, joseval@plenus.net


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