O papa Leão fez neste domingo (20/07/2025) um apelo pelo fim da guerra na Faixa de Gaza, após o bombardeio israelense à Igreja da Sagrada Família, única paróquia católica latina do território. Três pessoas morreram e várias ficaram feridas no ataque, ocorrido na quinta-feira (17/07/2025). O pontífice denunciou a “barbárie da guerra” e cobrou respeito ao direito humanitário internacional.
Durante a tradicional oração do Angelus, o papa expressou pesar pelas vítimas e pediu à comunidade internacional que atue para proteger os civis. Ele também citou nominalmente os mortos no ataque e alertou contra o uso indiscriminado da força, punições coletivas e deslocamentos forçados da população.
Vaticano mantém atenção sobre Gaza
Desde o início do conflito, em 07/10/2023, o Vaticano tem acompanhado de perto a situação na região, com atenção especial à comunidade cristã abrigada na Igreja da Sagrada Família. O papa anterior, Francisco, telefonava diariamente para o padre Gabriel Romanelli, ferido levemente na perna durante o bombardeio. Em nota, o Vaticano voltou a demonstrar preocupação com a crise humanitária e pediu proteção aos mais vulneráveis.
O primeiro-ministro de Israel, Benyamin Netanyahu, anunciou a abertura de uma investigação sobre o ataque. Em gesto incomum, ele também manifestou pesar pelas vítimas, sinalizando possível resposta às pressões internacionais.
Delegação religiosa visita local atingido
As autoridades israelenses autorizaram a entrada de uma delegação religiosa em Gaza, composta por representantes da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa Grega. Os patriarcas Pierbattista Pizzaballa (latino) e Teófilo III (ortodoxo grego) visitaram o local bombardeado, prestaram solidariedade à comunidade cristã e se reuniram com famílias deslocadas.
Segundo comunicado do Patriarcado Latino de Jerusalém, a visita também permitiu a entrega de alimentos e suprimentos médicos de emergência, com apoio de agências humanitárias. A nota reforçou a preocupação das igrejas da Terra Santa com a situação da população de Gaza.
Fome se agrava entre civis
A desnutrição severa tem afetado especialmente crianças e recém-nascidos. A Defesa Civil de Gaza confirmou mortes por fome e ausência de cuidados médicos básicos. Relatos apontam para crianças dormindo com fome, escassez de leite infantil e preços inviáveis de alimentos no mercado local.
Em Nousseirat, no centro da Faixa de Gaza, moradores relataram falta absoluta de recursos para alimentar os filhos. “Nossos filhos dormem chorando de fome”, disse Ziad Mousleh, de 45 anos. Em uma escola usada como abrigo, Oum Sameh Abou Zeina relatou ter perdido 35 quilos e que cede sua comida à filha.
Ajuda bloqueada e aumento dos preços
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) alertou que o preço da farinha subiu até 3.000 vezes desde o início da guerra. O diretor da entidade, Carl Skau, afirmou que a situação em Gaza é a pior crise humanitária que já presenciou. Segundo ele, a comida está do outro lado da fronteira, mas não chega à população.
A ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA) informou que possui estoques suficientes para alimentar a população por três meses, mas não recebeu autorização para distribuição.
Já a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) registrou aumento nos partos prematuros causados por fome em gestantes e lotação das UTIs neonatais, com até cinco bebês por incubadora.
Números do conflito
Desde o ataque do Hamas em 07/10/2023, que matou 1.219 pessoas em Israel, a resposta militar israelense já deixou pelo menos 58.895 mortos na Faixa de Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde local reconhecidos pela ONU. A maioria das vítimas são civis. Os bombardeios mais recentes, ocorridos na sexta-feira (18/07/2025), resultaram em 35 mortes nas regiões de Gaza e Cidade de Gaza.
*Com informações da RFI.
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