A UPA Estadual de Feira de Santana, situada ao lado do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) e gerida pela S3 Gestão em Saúde, registrou uma taxa de ocupação de 260% nesta segunda-feira (14/07/2025). A unidade, classificada como UPA Tipo 3, é a única com essa capacidade no município e segue enfrentando superlotação crônica.
Estrutura da unidade e volume de atendimentos
A unidade conta com sete médicos por plantão, sendo três clínicos, um pediatra, um cirurgião, um ortopedista e um diarista. Estão disponíveis 18 leitos adultos, seis pediátricos, sala de medicação com 15 poltronas, serviço de raio-X 24 horas, laboratório interno, ultrassonografia, além de estrutura para eletrocardiogramas e pequenas cirurgias.
Apesar dessa estrutura, a UPA realiza, em média, 300 atendimentos por dia, o que representa entre 8 a 10 mil atendimentos mensais. A maior parte dos casos, no entanto, não configura urgência e poderia ser tratada em Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Classificação de risco e perfil de pacientes
O acolhimento é feito por enfermeiros com base na Classificação de Risco do Ministério da Saúde, que categoriza os pacientes por gravidade:
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🔴 Vermelho – risco iminente de morte: atendimento imediato
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🟡 Amarelo – urgência moderada: atendimento em até 60 minutos
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🟢 Verde – casos leves: atendimento preferencial em UBS
Segundo Emanuele Cunha, gerente de operações da UPA, a maioria dos atendimentos é classificada como verde, o que agrava a superlotação e prejudica o fluxo de atendimento para casos mais graves.
Internações e impacto da atenção básica
O coordenador técnico Dr. José Luiz afirma que a maioria das internações são de pacientes clínicos, com doenças que poderiam ser evitadas por acompanhamento na atenção primária, como hipertensão descontrolada e diabetes sem monitoramento.
Esses pacientes permanecem na unidade aguardando regulação estadual para transferência hospitalar após estabilização.
Estratégias de gestão para enfrentar a superlotação
Entre as medidas adotadas está o Fast Track, que direciona pacientes verdes para um fluxo exclusivo, com consultório dedicado, equipe de enfermagem própria e medicação imediata, agilizando a liberação da recepção.
A unidade também realiza pesquisas de satisfação, mantendo índices entre 92% e 95% de aprovação, mesmo diante do cenário de alta demanda.
De acordo com Dr. José Luiz, o uso correto dos serviços de saúde pela população é essencial para equilibrar o sistema:
“Quando cada porta da rede de saúde cumpre seu papel — UBS, UPA, hospital — todos ganham: os profissionais, o sistema e, principalmente, o paciente.”
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