Bolívia se aproxima de eleição presidencial mais incerta em 20 anos

No domingo (17/08/2025), a Bolívia realizará a eleição presidencial considerada a mais incerta das últimas duas décadas, em um cenário marcado por crise política e econômica, ausência de candidatos competitivos do Movimento ao Socialismo (MAS) e a fragmentação do eleitorado. O presidente Luis Arce decidiu não concorrer à reeleição, e o partido histórico enfrenta risco de não atingir a cláusula de barreira, que exige mínimo de 3% dos votos para continuar legalmente ativo.

Entre os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas estão Samuel Doria Medina, empresário e ex-candidato presidencial; Jorge Quiroga, ex-presidente da Bolívia; e Manfred Reyes Villa, prefeito de Cochabamba. Andrónico Rodríguez, presidente do Senado e representante de uma aliança entre o Movimento Terceiro Sistema (MTS) e partidos menores, lidera as intenções de voto à esquerda, enquanto Eduardo del Castillo, ministro do governo Arce, não apresenta crescimento significativo nas pesquisas.

O ex-presidente Evo Morales, impedido pela Justiça de concorrer e crítico do atual governo, incentiva o voto nulo, atingindo cerca de 15% do eleitorado. Segundo o professor de ciência política da Universidade Federal do Ceará (UFC), Clayton Cunha Filho, essa divisão demonstra uma probabilidade significativa de mudança no rumo político do país.

Entre os principais temas debatidos na campanha estão inflação elevada, subsídios a combustíveis sem reajuste desde 2006 e escassez de divisas internacionais para importações. O candidato Medina, segundo especialistas, propõe ajustes econômicos mais liberais, incluindo possíveis privatizações parciais de empresas estatais deficitárias, embora sem rupturas radicais.

A fragmentação da esquerda e a oposição de Morales contribuíram para o cenário atual, marcado por protestos, greves e bloqueios de rodovias, que já afetaram a administração pública e a governança. A ausência de unidade partidária dificulta a consolidação de uma candidatura única à esquerda, enquanto a direita surge como favorita a disputar o segundo turno.

Do ponto de vista internacional, a eleição pode influenciar a posição da Bolívia no BRICS e em relações bilaterais com China e Estados Unidos. O doutor em relações internacionais Mário Tito Almeida destaca que a vitória da direita pode deslocar o país para maior influência estadunidense e reduzir o alinhamento com projetos de integração regional e exploração de recursos estratégicos, como o lítio.

*Com informações da Sputnik News.


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