O Alzheimer, doença neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas no mundo, pode ter parte de seu risco reduzido com mudanças consistentes no estilo de vida, segundo estudos científicos e orientações médicas. Pesquisadores e especialistas destacam cinco áreas-chave que contribuem para a prevenção: abandono do tabagismo, prática regular de atividade física, fortalecimento de vínculos sociais, uso responsável de medicamentos e inclusão de compostos naturais no tratamento.
1. Abandono do Fumo
O número de fumantes vem caindo nas últimas décadas, mas preocupa o aumento da adesão ao tabagismo entre mulheres. A correlação pode estar ligada a transformações culturais e à ocupação de espaços historicamente masculinos, inclusive no esporte. Estatísticas indicam que ex-fumantes apresentam menor risco de desenvolver Alzheimer do que aqueles que mantêm o hábito. A cessação do fumo não apenas preserva funções cognitivas como reduz o risco de diversas doenças crônicas.
2. Combate ao Sedentarismo
Estudos com populações de alta longevidade, como as de Okinawa (Japão), Icária (Grécia) e Loma Linda (EUA), mostram que a atividade física regular é determinante para a saúde cerebral. Embora inicialmente pesquisadores tenham associado o consumo de vinho e o resveratrol ao envelhecimento saudável, novas análises revelaram que o fator mais decisivo era o trabalho manual diário na terra, seja em quintais, sítios ou hortas.
Para resultados efetivos, especialistas recomendam:
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Avaliação cardiológica prévia;
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Início gradual das atividades;
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Pelo menos 30 minutos de exercício, cinco vezes por semana;
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Alternância entre caminhadas, musculação leve e tarefas domésticas ativas.
3. Prática da Solidariedade
A solidariedade é mais do que um valor social — pode ser um fator de proteção cerebral. Pesquisas da Universidade de Birmingham (EUA) indicam que pessoas socialmente isoladas apresentam maior acúmulo da proteína beta-amilóide, associada ao Alzheimer. O médium e educador Divaldo Franco sintetiza:
“Quem não é solidário, fica solitário”.
Atividades em grupo, voluntariado e convivência comunitária são apontados como estratégias eficazes para manter a saúde mental e emocional, alinhadas à máxima bíblica de que “não é bom que o homem viva só”.
4. Uso Moderado de Anti-histamínicos
O uso contínuo de anti-histamínicos e outros medicamentos de venda livre pode aumentar o risco de declínio cognitivo. Médicos alertam para a importância de evitar automedicação e priorizar a reposição de vitaminas e minerais por meio da alimentação. A exposição solar adequada, por exemplo, é essencial para a metabolização da vitamina K, que auxilia na fixação do cálcio.
5. Potencial Terapêutico do Canabidiol e THC
Estudos recentes indicam que canabidiol (CBD) e tetra-hidrocanabinol (THC), derivados da Cannabis sativa, apresentam efeitos terapêuticos em até 44 patologias, incluindo Alzheimer, Parkinson, autismo, ansiedade, depressão, TDAH e esquizofrenia. No caso do Alzheimer, pesquisas apontam possível redução de inflamações neuronais e melhora de funções cognitivas, embora ainda sejam necessárias regulamentações e estudos clínicos de longo prazo.
Integração
A abordagem preventiva do Alzheimer exige integração entre hábitos saudáveis, acompanhamento médico e políticas públicas voltadas para envelhecimento ativo. Embora medidas como cessar o tabagismo e praticar exercícios sejam amplamente divulgadas, ainda há barreiras culturais e socioeconômicas que dificultam sua adoção em larga escala. Além disso, o uso de compostos como CBD e THC, apesar do potencial terapêutico, enfrenta entraves regulatórios e preconceito social. O desafio é transformar recomendações científicas em práticas acessíveis e sustentáveis.
Esta análise é elaborada por Joseval Carneiro (joseval@plenus.net), psicoterapeuta, advogado, palestrante, escritor e jornalista. É membro da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e Vice-Presidente da Academia de Cultura da Bahia.
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