O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu neste domingo que os sem-teto deixem “imediatamente” a cidade de Washington. Por meio de sua rede social Truth Social, afirmou que o governo federal fornecerá abrigos, porém em locais afastados da capital. Trump anunciou uma coletiva de imprensa para a segunda-feira (11/08/2025), na qual apresentará seu projeto para tornar Washington “mais segura e mais bonita do que nunca”.
Na postagem, Trump classificou os moradores de rua como “criminosos” e ameaçou que aqueles que não saírem da cidade serão presos.
“Vocês não precisam partir. Vamos colocá-los na prisão, onde deveriam estar”, escreveu.
De acordo com o relatório anual do Departamento de Habitação, em 2024 Washington ocupava o 15º lugar entre as maiores cidades dos EUA com maior número de pessoas em situação de rua, com mais de 5.600 registros oficiais.
Desde o retorno de Trump à presidência, o líder tem ameaçado retomar o controle direto das autoridades federais sobre Washington, que possui um status especial nos EUA. Criada após a Guerra da Independência para ser a capital, a cidade não pertence a nenhum estado e é regida pelo Congresso, conforme determina a Constituição americana.
Desde a lei de 1973, os moradores elegem um conselho municipal, mas suas decisões ainda são supervisionadas pelo Congresso. Em fevereiro de 2025, Trump manifestou apoio a um projeto para revogar essa lei, com o objetivo de reforçar a segurança e o combate à criminalidade.
Declarações sobre criminalidade e controle federal
Trump afirmou que Washington enfrenta “muito crime, muitos grafites e barracas nos gramados”, ressaltando a importância da aparência da capital, que recebe líderes internacionais. Em março, assinou decreto ampliando a supervisão federal sobre a prefeitura, especialmente no que se refere ao controle da imigração ilegal.
A cidade tradicionalmente vota no Partido Democrata. Nas eleições de novembro de 2024, a candidata Kamala Harris obteve mais de 90% dos votos em Washington.
Reação da prefeita e dados oficiais
A prefeita de Washington, Muriel Bowser, adotou postura conciliadora em relação às ações federais. Em março, autorizou a remoção de um mural do movimento antirracista Black Lives Matter, alvo de críticas de republicanos.
Antes das declarações de Trump, Bowser afirmou em entrevista à MSNBC que a coletiva do presidente provavelmente abordaria o “reforço das forças federais de segurança” na cidade. Ela também destacou que as estatísticas apontam “tendências positivas em todas as categorias” de criminalidade.
O Departamento de Justiça dos EUA informou em janeiro que os casos de crimes violentos em Washington atingiram, em 2024, o nível mais baixo em mais de 30 anos.
Bowser respondeu a declarações do conselheiro de Trump, Stephen Miller, que comparou Washington a uma cidade “mais violenta que Bagdá”. Para a prefeita, a comparação é “exagerada e incorreta”.
*Com informações da RFI.











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