IPAC conclui inventários culturais dos povos Guerém e Pataxó na Bahia

O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), concluiu dois inventários culturais referentes aos povos Guerém e Pataxó, finalizados após seis meses de pesquisa. Os levantamentos, divulgados nesta quarta-feira (20/08/2025), documentaram bens materiais e imateriais, revelando histórias de resistência e práticas culturais preservadas ao longo dos séculos.

No caso dos Guerém, da Aldeia de São Fidélis, em Valença, foram identificados 20 bens culturais, entre eles celebrações, formas de expressão, objetos e lugares. Sete desses elementos, como o maracá, a jangada, o Rio Piau, a Lagoa Encantada e o ritual Ntack Taru, receberam fichas analíticas detalhadas. O levantamento gerou ainda um acervo audiovisual, um livro e um documentário, ampliando a visibilidade da cultura Guerém.

A trajetória histórica do povo, marcada por aldeamento forçado e pela extinção oficial do território em (1875), foi retomada com o reconhecimento da Funai em (2014) e a criação do Coletivo Étnico-Cultural Aldeia Distrito Guerém em (2018). O inventário reforça a identidade cultural e o vínculo territorial da comunidade.

O levantamento dos Pataxó percorreu 43 aldeias no Extremo Sul da Bahia, em territórios como Barra Velha, Monte Pascoal, Coroa Vermelha e Comexatibá. Foram mapeados bens imateriais como medicina tradicional, técnicas artesanais, músicas, danças e narrativas orais, além de bens materiais como instrumentos musicais, utensílios de pesca e caça, arquitetura tradicional e locais sagrados, entre eles o Monte Pascoal e a Reserva da Jaqueira. Também foi destacada a revitalização da língua Patxohã e ações de transmissão cultural às novas gerações.

Ambos os trabalhos foram realizados com metodologias participativas recomendadas pelo Iphan, priorizando o protagonismo indígena. Lideranças, pesquisadores, professores, comunicadores e guardiões de saberes participaram diretamente das etapas, garantindo que as referências culturais fossem descritas a partir da perspectiva das próprias comunidades.

As ações tiveram apoio da Lei Paulo Gustavo, por meio do Edital de Inventário de Conhecimento de Bens Culturais da Bahia, e da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), com o Programa de Apoio a Projetos de Extensão (Proapex).

De acordo com o diretor-geral do Ipac, Marcelo Lemos Filho, os inventários se consolidam como ferramentas de fortalecimento cultural e político. Já a gerente de Patrimônio Imaterial do Ipac, Adriana Cerqueira, ressaltou que o processo “vai além da documentação, representando reconhecimento e valorização das narrativas próprias em um contexto de tentativas históricas de silenciamento”.

As produções resultantes serão disponibilizadas ao público, garantindo acesso a registros que contribuem para a preservação da memória e das práticas culturais dos povos Guerém e Pataxó.


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