O ministro da Defesa de Israel, Israël Katz, ordenou nesta quarta-feira (20/08/2025) a mobilização de 60 mil reservistas para a ocupação da cidade de Gaza, apesar da escassez de efetivos nas forças armadas. A medida integra o plano aprovado pelo gabinete de segurança para assumir o controle da Faixa de Gaza, libertar reféns e desarmar o movimento islâmico Hamas.
O Exército israelense busca complementar seus efetivos com jovens judeus residentes no exterior, principalmente nos Estados Unidos e na França, onde vivem as maiores comunidades judaicas fora de Israel. Pelo menos 10 mil estrangeiros estariam aptos ao serviço militar. O programa Mahal permite que voluntários estrangeiros realizem 18 meses de serviço militar, podendo retornar a seus países de origem ou se estabelecer em Israel.
O serviço militar em Israel é obrigatório a partir dos 18 anos, com duração de 32 meses para homens e 24 meses para mulheres. Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, cerca de 900 soldados israelenses foram mortos e 15.000 ficaram feridos ou apresentam transtornos pós-traumáticos, gerando reticência entre os jovens a integrar o Exército.
Em início de agosto, o gabinete de segurança aprovou um plano para ocupar Gaza e campos de refugiados vizinhos, controlar a segurança do território palestino, libertar os reféns e neutralizar o Hamas. Katz anunciou nesta quarta-feira (20/08/2025) a aprovação do plano de ataque à cidade de Gaza e autorizou a convocação dos reservistas necessários, totalizando os 60 mil militares mobilizados. Gaza e áreas vizinhas têm sofrido frequentes bombardeios por serem consideradas redutos do Hamas. Segundo o site israelense Walla, a divisão 99 estaria prestes a conquistar o bairro de Zeitoun, com Sabra como próximo alvo, visando desmantelar a capacidade militar do grupo.
A decisão de Katz ocorre dois dias após o Hamas aceitar proposta de trégua de 60 dias, mediada por Egito, Catar e Estados Unidos. A proposta inclui libertação de reféns em duas etapas, mas Israel ainda não respondeu oficialmente. Dos 251 reféns sequestrados em 7 de outubro de 2023, 49 permanecem detidos, sendo 27 mortos, segundo o Exército israelense.
Desde o início da guerra, Israel mantém mais de 2 milhões de palestinos sitiados em Gaza, limitando o acesso a ajuda humanitária. A ONU alerta para escassez de alimentos e fome, enquanto o governo israelense afirma permitir a entrada de suprimentos. O ataque de 7 de outubro matou 1.219 pessoas em Israel, a maioria civis, e a ofensiva israelense resultou em 62.064 mortos em Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde controlado pelo Hamas.
O conflito provoca crescentes protestos em Israel. Pesquisas indicam que dois terços da população israelense apoiam um acordo com o Hamas para interromper combates e liberar os reféns. Mais de 300 mil pessoas protestaram em Tel Aviv, questionando a continuidade da guerra e a isenção de serviço militar para jovens ultraortodoxos, privilégio mantido pelo governo Netanyahu devido à dependência política de partidos religiosos.
Na esfera internacional, a França respondeu às acusações do premiê Netanyahu, que afirmou que o presidente Emmanuel Macron “alimenta o fogo antissemita” ao apoiar o reconhecimento do Estado da Palestina. O Palácio do Eliseu classificou a acusação como “errada e abjeta” e reforçou que protege os cidadãos de confissão judaica, destacando medidas firmes contra atos antissemitas desde 2017.
*Com informações da RFI.
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