O Escritório de Direitos Humanos da ONU alertou nesta terça-feira (19/08/2025) que o bloqueio imposto por Israel à entrada de ajuda humanitária em Gaza pode resultar em fome generalizada. De acordo com o porta-voz Thameen Al-Kheetan, o fluxo de suprimentos é “totalmente insuficiente” para atender às necessidades da população.
Mortes relacionadas à fome
Segundo Al-Kheetan, nas últimas semanas, Israel autorizou apenas quantidades de ajuda “muito abaixo do necessário”. Relatórios da ONU, divulgados nesta segunda-feira (18/08/2025), confirmam a ocorrência de mortes relacionadas à fome, inclusive entre crianças na região.
Enquanto isso, o Exército israelense intensifica os ataques no norte de Gaza e emite ordens de deslocamento para milhares de moradores.
Condições em Al-Mawasi
Grande parte da população foi orientada a se deslocar para Al-Mawasi, mas, segundo a ONU, a área enfrenta condições precárias, com ataques aéreos contínuos e ausência de serviços básicos. Os deslocados têm acesso limitado a comida, água, eletricidade e abrigos.
Nos dias 16 e 17 de agosto, pelo menos nove pessoas morreram em cinco ataques a tendas de deslocados internos em Al-Mawasi.
Mortes durante busca por ajuda
O porta-voz destacou que a busca por suprimentos tornou-se um ato de risco. Dados recentes apontam que 1.857 palestinos foram mortos enquanto tentavam obter comida por meio da Fundação Humanitária de Gaza, sistema de distribuição apoiado pelos Estados Unidos e por Israel, iniciado em 27 de maio (2025).
Desses, 1.021 morreram perto dos pontos de distribuição e 836 ao longo das rotas dos caminhões.
Vídeo em prisão israelense
Al-Kheetan também comentou sobre um vídeo divulgado em uma prisão israelense, no qual o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, aparece confrontando o líder palestino Marwan Barghouti.
O representante da ONU classificou o episódio como um “atentado à dignidade” do detido, destacando que o direito internacional exige que todos os prisioneiros sejam tratados com humanidade e dignidade. Para ele, a conduta do ministro pode estimular violência contra presos palestinos e favorecer violações de direitos humanos em centros de detenção.
*Com informações da ONU News.








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