A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou para o aumento significativo de casos de sarampo nas Américas, pedindo aos países da região que fortaleçam a vigilância epidemiológica e a imunização da população. Até 8 de agosto de 2025, foram registrados 10.139 casos, um aumento de 34 vezes em relação a 2024, com 18 mortes em 10 países.
Casos em não vacinados
Segundo a Opas, 71% dos casos ocorreram em pessoas não vacinadas, enquanto em 18% das notificações a situação vacinal é desconhecida. Em 2024, a cobertura da primeira dose da vacina MMR (sarampo, caxumba e rubéola) alcançou 89%, e a segunda dose 79%, ainda abaixo dos 95% recomendados para prevenir surtos.
O Canadá, México e Estados Unidos lideram o número de casos, com o México registrando 14 mortes, os EUA três, e o Canadá um óbito. No Brasil, foram confirmados 17 casos, concentrados em Tocantins, vinculados a um surto regional.
Genótipos do vírus e grupos afetados
Os surtos estão associados a dois genótipos do vírus do sarampo, sendo um identificado em oito países, principalmente em comunidades menonitas no Canadá, EUA, México, Belize, Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai. No México, comunidades indígenas foram mais afetadas, com uma letalidade 20 vezes maior que a média nacional.
Nos Estados Unidos, surtos ocorreram em 41 distritos, principalmente entre populações menonitas subvacinadas, embora não haja novos registros no Texas ou Novo México desde o fim de julho.
Recomendações da Opas
A Opas recomenda que os países adotem medidas como:
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Aumentar a vacinação para pelo menos 95% da população com duas doses;
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Reforçar sistemas de resposta rápida para conter surtos;
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Ampliar campanhas de vacinação em áreas de surto ou alto risco;
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Garantir detecção oportuna e confirmação laboratorial dos casos;
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Engajar comunidades para melhorar a educação em saúde e reduzir hesitação vacinal;
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Incluir crianças de 6 a 11 meses em estratégias de proteção precoce em contextos de surto.
Embora não haja recomendação de restrições de viagem, a agência orienta que viajantes confirmem sua vacinação, principalmente ao visitar regiões com surtos ativos.
Desde 2016, as Américas haviam interrompido a transmissão endêmica do sarampo, marco global, mas surtos recentes demonstram que manter o controle da doença continua sendo um desafio, devido à circulação do vírus em outras regiões do mundo e à hesitação vacinal em grupos específicos.
*Com informações da ONU News.










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