Brasil discute estratégia multissetorial para enfrentar sanções e tarifas dos EUA na Seção 301

Debate no Senado aponta necessidade de atuação conjunta de governo, setor privado e Legislativo para reverter sanções comerciais americanas.
Debate no Senado aponta necessidade de atuação conjunta de governo, setor privado e Legislativo para reverter sanções comerciais americanas.

Em audiência pública realizada nesta quarta-feira (24/09/2025), especialistas, senadores e representantes de setores exportadores defenderam a adoção de uma estratégia multissetorial para enfrentar possíveis sanções dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras, previstas na Seção 301. A investigação comercial americana alega supostas práticas desleais do Brasil no comércio internacional, com potencial de manter ou ampliar tarifas sobre produtos nacionais. O debate foi presidido pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), à frente da comissão que acompanha as relações econômicas bilaterais.

Seção 301 e impactos sobre exportações

O diplomata Roberto Carvalho de Azevêdo destacou que a Seção 301 permite que os EUA mantenham tarifas de até 50% sobre 35,9% da pauta exportadora brasileira, mesmo que a Suprema Corte americana revogue a medida. Ele alertou que, embora a motivação política se sobreponha à econômica, a interlocução técnica e empresarial é essencial para aproveitar oportunidades futuras de negociação.

— A política americana prioriza interesses políticos sobre discussões técnicas, mas o setor privado deve manter comunicação ativa com autoridades e empresas americanas para viabilizar soluções comerciais, afirmou Azevêdo.

O embaixador Fernando Meirelles de Azevêdo Pimentel, diretor do Departamento de Política Comercial do Ministério das Relações Exteriores, reforçou que o Brasil atua dentro das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e contesta todas as alegações que considera inconsistentes, como tarifas, políticas de biocombustíveis e regras de comércio digital.

Necessidade de estratégia multissetorial

O presidente do Instituto Brasileiro de Comércio Internacional, Investimentos e Sustentabilidade (IBCIS), Welber Barral, defendeu que, além da defesa técnica, é necessário mobilizar setor empresarial, mídia e legislativo para construir narrativa proativa sobre o Brasil e reduzir desinformação.

— A Seção 301 é um instrumento de pressão política e exige defesa técnica robusta e articulação ampla para monitorar possíveis medidas americanas, afirmou Barral.

Para a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, os Estados Unidos mantêm superávit em relação ao Brasil, exportando mais de US$ 20 bilhões, o que reforça a importância de manter negociações bilaterais e proteger exportações nacionais, incluindo cerca de 10 mil empresas brasileiras que comercializam com o mercado americano.

Setor agro e desafios comerciais

Segundo Fernanda Maciel Carneiro, diretora de Relações Internacionais da CNA, as tarifas de 50% sobre produtos agropecuários brasileiros afetam competitividade frente a concorrentes como Argentina e Austrália, com tarifas menores. A comissão do Senado também debateu a necessidade de diversificação de mercados e monitoramento de contratos bilaterais que podem comprometer exportações.

O senador Nelsinho Trad enfatizou que o Brasil deve buscar diálogo pragmático e suprapartidário com os EUA, preservando empregos, renda e previsibilidade regulatória, enquanto o economista Marcos Prado Troyjo alertou que o contencioso comercial pode se estender até o próximo ciclo eleitoral devido a forças políticas americanas e barreiras estruturais.

*Com informações da Agência Senado.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.