O cirurgião ortopedista francês François Jourdel, da ONG Médicos Sem Fronteiras, retornou de uma missão na Faixa de Gaza e relatou à RFI os efeitos da ofensiva israelense sobre a população local. Jourdel descreve destruição generalizada de residências, ferimentos graves, amputações e colapso da infraestrutura hospitalar, reforçando a gravidade da crise humanitária enfrentada pelos palestinos.
O médico alerta que nenhuma área do enclave é segura, incluindo zonas humanitárias, onde bombas atingem regiões próximas a residências, gerando um cotidiano marcado por medo, desnutrição e superlotação.
Condições de vida e atendimento médico
Segundo Jourdel, famílias inteiras vivem em espaços reduzidos, dormindo em barracas ou áreas de 20 m², expostas a pragas e falta de saneamento básico. O profissional relata casos de ferimentos graves por estilhaços, balas e drones, além de pessoas esmagadas por escombros, exigindo amputações emergenciais nos hospitais do enclave.
O cirurgião destaca que a fadiga, a desnutrição e a exaustão da população se agravaram desde sua primeira missão em novembro de 2023, evidenciando a deterioração do cenário humanitário.
Impacto psicológico e humanitário
Jourdel ressalta a empatia e o sentimento de impotência diante da situação. Ele afirma que há poucas perspectivas de melhora, tanto para os pacientes quanto para os profissionais de saúde, e mantém contato com alguns pacientes via WhatsApp para monitorar seu estado, apesar da dor, lágrimas e sofrimento constantes.
A experiência do médico evidencia a necessidade de intervenções internacionais urgentes e reforça que a população de Gaza enfrenta risco contínuo de violência e colapso social, enquanto a comunidade internacional debate a viabilidade de cessar-fogo na região.
*Com informações da RFI.








Deixe um comentário