Desconexão de cabo causou acidente do Elevador da Glória em Lisboa, aponta investigação oficial

O Gabinete de Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários (GPIAAF) confirmou neste sábado (06/09/2025) que a desconexão do cabo que ligava as duas cabines foi a causa do acidente do Elevador da Glória, em Lisboa, que resultou na morte de 16 pessoas. A tragédia ocorreu na quarta-feira (03/09/2025) e ainda está sob investigação detalhada, que terá um relatório preliminar publicado em até 45 dias.

Primeiros resultados da investigação

Segundo o GPIAAF, a inspeção visual realizada na manhã do dia do acidente não detectou nenhuma anomalia no cabo, que havia sido instalado há 337 dias. A área onde houve a desconexão precisará ser desmontada para análise.

O órgão informou que a investigação busca avaliar os procedimentos de manutenção, as condições das inspeções, a qualificação dos técnicos envolvidos, além da fiscalização da empresa terceirizada responsável pelo serviço e os critérios de sua contratação.

Dinâmica do acidente e velocidade do impacto

De acordo com as primeiras análises, o impacto ocorreu a cerca de 60 km/h quando o funicular colidiu com um edifício no centro da cidade. Às 18h do dia 03/09, as cabines estavam nas estações de partida e iniciaram o trajeto minutos depois. Após percorrer cerca de seis metros, as cabines perderam o equilíbrio proporcionado pelo cabo.

A cabine número 2 recuou de forma brusca, enquanto a cabine número 1 ganhou velocidade e desceu pela ladeira da Calçada da Glória. O condutor tentou frear, mas o veículo percorreu 170 metros até descarrilar, tombar e colidir contra a parede de um edifício, um poste e um suporte da rede elétrica, antes de parar na esquina.

Responsabilidade da manutenção

A Carris, empresa responsável pelo transporte público de Lisboa, declarou que a manutenção do elevador é feita regularmente por uma empresa terceirizada e que todos os prazos foram cumpridos. O GPIAAF avaliará se houve falhas no cumprimento de normas de segurança e nos processos de fiscalização.

Próximos passos e divulgação de relatório

O relatório preliminar com as primeiras conclusões será divulgado até meados de outubro de 2025. O relatório final, que pode trazer recomendações de segurança e mudanças nos protocolos de inspeção, deve ser publicado em até um ano. Caso seja necessário, um relatório intermediário poderá ser apresentado.

Vítimas e feridos

O acidente deixou 16 mortos, incluindo cinco portugueses e onze estrangeiros — três britânicos, dois sul-coreanos, dois canadenses, uma francesa, um suíço, um americano e um ucraniano. Outras 23 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave, e seguem em acompanhamento hospitalar.

*Com informações da RFI.


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