Na quarta-feira (10/09/2025), o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, informou ao Parlamento que ao menos 19 drones russos violaram o espaço aéreo polonês durante a madrugada. Segundo o governo, três drones foram abatidos pelas forças de defesa, em uma operação que se estendeu por toda a noite.
Varsóvia aciona Artigo 4 da OTAN
Tusk declarou que o episódio representa ameaça direta à segurança nacional e anunciou, junto ao presidente Karol Nawrocki, a ativação formal do Artigo 4 do Tratado do Atlântico Norte. A cláusula prevê consultas entre os países aliados sempre que houver risco à integridade territorial de um dos membros da Aliança.
Reunião de emergência em Bruxelas
O Conselho do Atlântico Norte reuniu-se na manhã de quarta-feira, ao nível de embaixadores dos 32 países da OTAN, para discutir o episódio. Desde a fundação da Aliança em 1949, o Artigo 4 foi invocado apenas oito vezes, três delas relacionadas à guerra na Ucrânia. O Artigo 5, que prevê assistência militar mútua em caso de ataque, foi acionado apenas uma vez, após os atentados de 11 de setembro de 2001.
Reações de líderes europeus
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou estar profundamente preocupado com a violação do espaço aéreo polonês e agradeceu às forças da OTAN pela resposta rápida. Em Bruxelas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou apoio total à Polônia e condenou o incidente.
Ucrânia propõe defesa aérea conjunta
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, sugeriu aos aliados a criação de um sistema europeu de defesa aérea integrado, considerando a incursão um ataque deliberado. Enquanto isso, o encarregado de negócios da Rússia na Polônia, Andreï Ordach, foi convocado ao Ministério das Relações Exteriores e negou responsabilidade de Moscou, alegando falta de provas.
Contexto geopolítico e tensão crescente
O incidente ocorre em meio à continuidade da guerra na Ucrânia e ao aumento das operações militares russas em áreas próximas às fronteiras da OTAN. Analistas avaliam que a resposta coordenada da Aliança será determinante para evitar uma escalada do conflito e garantir a dissuasão militar na região do leste europeu.
Próximos passos da Aliança
Especialistas destacam que a reunião sob o escopo do Artigo 4 poderá resultar em reforço de contingentes militares na Polônia e países vizinhos, além de novas sanções contra a Rússia. A decisão de avançar para o Artigo 5 depende de consenso entre os aliados e de comprovação de que as violações representam um ataque armado deliberado.
*Com informações da RFI.











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