Durante o festival Brésil en Mouvements, em Paris, em cartaz até sábado (20/09/2025), a documentarista Ângela Mendes, filha do líder ambiental Chico Mendes, afirmou que a COP30, marcada para ocorrer em Belém, é o momento ideal para discutir a preservação da Amazônia. Ângela participou de debate sobre o legado do pai e os desafios atuais da causa socioambiental brasileira, ressaltando que ameaças aos territórios indígenas e tradicionais continuam em expansão.
Desafios e resistências na Amazônia
Ângela Mendes destacou que, quase 40 anos após o assassinato de Chico Mendes, os ataques aos territórios continuam, impulsionados por interesses econômicos e políticas neoliberais que dificultam o acesso das comunidades locais a políticas públicas estratégicas. Ela afirmou que a população da Amazônia está à margem do desenvolvimento sustentável e do bem-estar social, exigindo medidas efetivas de proteção.
Segundo a ativista, o governo do presidente Lula enfrenta resistência no Congresso, dificultando a implementação de políticas coerentes com a preservação ambiental. A ministra Marina Silva também é alvo de ataques políticos internos, reforçando a necessidade de apoio à agenda socioambiental.
COP30 como oportunidade global
Ângela Mendes considerou que a COP30 é uma oportunidade histórica para colocar os povos da floresta no centro das discussões climáticas. Ela afirmou que o evento permitirá que o mundo compreenda os impactos ambientais na Amazônia e a necessidade de políticas públicas e internacionais que protejam territórios indígenas, saberes tradicionais e biodiversidade.
A ativista também alertou que o Brasil permanece entre os países que mais registram assassinatos de ativistas ambientais, enfatizando a urgência de medidas protetivas.
Críticas à União Europeia
Ângela Mendes criticou a atuação da União Europeia, afirmando que, apesar de discursos diplomáticos favoráveis à preservação ambiental, os recursos destinados a organizações amazônicas têm sido redirecionados para gastos militares em contextos como Ucrânia e Gaza. Ela destacou contradições de países financiadores do Fundo Amazônia, como Noruega e Alemanha, que mantêm empresas atuando na região com impactos negativos à saúde e ao meio ambiente.
A ativista defendeu que territórios protegidos e saberes tradicionais devem ser reconhecidos como parte essencial da solução para a crise climática, e solicitou que governos, bancos e empresas europeias cessem o financiamento ao desmatamento e à violência contra os povos da floresta.
*Com informações da RFI.








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