França discute “taxa Zucman” para ultrarricos em meio a crise fiscal e política

Proposta de imposto sobre patrimônios acima de € 100 milhões mobiliza governo, oposição e sindicatos no país.
Proposta de imposto sobre patrimônios acima de € 100 milhões mobiliza governo, oposição e sindicatos no país.

A França enfrenta tensão fiscal e política com a proposta da chamada “taxa Zucman”, um imposto anual de 2% sobre patrimônios superiores a € 100 milhões (R$ 635 milhões). O debate ganhou força nesta quarta-feira (17/09/2025), quando o novo primeiro-ministro Sébastien Lecornu iniciou negociações com partidos da oposição sobre o orçamento de 2026, em tentativa de garantir uma maioria estável no Parlamento e evitar derrubada do governo.

Proposta da taxa Zucman

A taxa Zucman foi sugerida pelo economista francês Gabriel Zucman e afetaria apenas 0,01% dos contribuintes, cerca de 1.800 famílias, podendo gerar € 20 bilhões por ano (R$ 127 bilhões). O montante seria destinado a reduzir o déficit público, estimado em 5,8% do PIB em 2024, e a dívida nacional, que supera 114% do PIB.

Pressão popular e mobilização

O tema ganhou força após o fracasso do plano orçamentário anterior, que previa cortes sociais e eliminação de feriados, rejeitado pelo Parlamento. As manifestações “Vamos bloquear tudo”, realizadas em 10/09/2025, e a greve nacional marcada para quinta-feira (18/09/2025), devem reunir cerca de 400 mil participantes, segundo sindicatos. Pesquisa do instituto Ifop, encomendada pelos socialistas, indica que 86% dos franceses apoiam a taxa Zucman, enquanto 79% defendem redução de subvenções públicas às grandes empresas.

Resistência do governo e do setor empresarial

Apesar de sinais de ruptura com governos anteriores, o primeiro-ministro Lecornu descartou a implementação da taxa Zucman. Ele pretende manter feriados e encerrar privilégios vitalícios para ex-integrantes do governo, mas enfrenta resistência de Republicanos e da extrema direita, liderada por Marine Le Pen.

Reação do setor empresarial

A principal associação patronal francesa, Medef, classificou a proposta como “confisco disfarçado” e ameaçou mobilização massiva de empresários caso o imposto seja aprovado. Desde 2017, a gestão de Macron tem promovido reduções fiscais sobre grandes fortunas e empresas, com subvenções públicas estimadas em € 211 bilhões em 2023, podendo alcançar € 270 bilhões, segundo estimativas da revista Le Nouvel Obs.

Próximos passos

O projeto de orçamento de 2026 deve ser apresentado até meados de outubro, mantendo o debate sobre justiça fiscal e tributação de ultrarricos no centro da agenda política francesa. A tramitação definirá o equilíbrio entre pressão popular, interesses governamentais e setor empresarial, influenciando decisões futuras sobre políticas tributárias.

*Com informações da RFI.


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