Livro ‘Sitiados’ revela bastidores do Congresso de Ibiúna e maior prisão em massa da história do Brasil

O jornalista e escritor Jason Tércio lança Sitiados – A saga do Congresso de Ibiúna em 1968, obra que detalha o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) e a maior prisão em massa da história brasileira, ocorrida no interior de São Paulo. Em outubro de 1968, cerca de 800 estudantes foram cercados pela polícia durante uma reunião clandestina, resultando na prisão de centenas de participantes no Presídio Tiradentes.

Organização e repressão

O livro detalha a preparação clandestina do congresso, incluindo o uso de senhas e contrassenhas, deslocamentos secretos, improvisos logísticos e vigilância policial com agentes infiltrados. Além disso, são abordados conflitos internos entre correntes da esquerda universitária, que disputavam espaço e direção na UNE, em meio a um contexto de intensa repressão política.

Contexto histórico

O autor contextualiza o episódio em 1968, ano marcado pelo assassinato de Edson Luís, pela Passeata dos Cem Mil e pelo avanço da repressão militar. Internacionalmente, o período também registrava rebeliões juvenis, de Paris ao Vietnã, influenciando a atuação dos estudantes brasileiros.

Prisão em massa e resistência no Presídio Tiradentes

A obra reconstrói com base em documentos do DOPS, depoimentos de participantes, panfletos, fotografias e registros de época a invasão do sítio em Ibiúna e as condições enfrentadas pelos estudantes presos no Presídio Tiradentes. O livro detalha a vida precária, estratégias de resistência e solidariedade dentro da unidade prisional.

Impacto político e legado

Entre os estudantes detidos estavam José Dirceu, Vladimir Palmeira e Luís Travassos, que mais tarde ocupariam papéis centrais na política e cultura brasileiras. Tércio demonstra que, mesmo com a derrota imediata, a experiência de Ibiúna influenciou novas formas de enfrentamento à ditadura, consolidando a participação estudantil como força política relevante.

Relevância do livro

Sitiados combina jornalismo investigativo, crônica histórica e suspense, oferecendo uma narrativa detalhada que dialoga com dilemas contemporâneos, como autoritarismo, repressão e mobilizações populares. O livro destaca o papel do movimento estudantil como agente de transformação social e memória histórica do país.


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