Pela primeira vez, o número de crianças e adolescentes obesos superou o de menores com baixo peso ideal no mundo, segundo levantamento do Unicef, divulgado na terça-feira (09/09/2025). A pesquisa aponta que um em cada 10 menores apresenta obesidade, condição que aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e certos tipos de câncer, além de impactos econômicos globais que podem ultrapassar US$ 4 trilhões anuais até 2035.
Prevalência global de obesidade infantil
O relatório do Unicef, “Alimentando o Lucro: Como os Ambientes Alimentares Estão Decepcionando as Crianças”, analisou dados de mais de 190 países, considerando a faixa etária entre 5 e 19 anos. Desde 2000, a prevalência de baixo peso caiu de 13% para 9,2%, enquanto a obesidade aumentou de 3% para 9,4%. Atualmente, 391 milhões de crianças e adolescentes estão acima do peso e 188 milhões já são obesos.
A agência destaca que alimentos ultraprocessados e fast-food, ricos em açúcar, sal, amido refinado, gorduras e aditivos, estão moldando a dieta global infantil e aumentando o risco de resistência à insulina, hipertensão e doenças fatais. O marketing digital amplia o acesso da indústria ao público jovem, promovendo hábitos alimentares prejudiciais.
Orientações para alimentação saudável
A cardiologista pediátrica Natalia Jatene, do Hospital do Coração em São Paulo, orienta uma alimentação balanceada, incluindo cinco cores no prato em cada refeição, evitando refrigerantes e sucos de caixinha. Ela reforça a necessidade de atividade física diária, como subir escadas, brincar ou passear, para reduzir os impactos do sedentarismo e prevenir obesidade infantil.
Medidas governamentais e impacto econômico
O Unicef aponta que intervenções públicas podem reduzir a obesidade e proteger a saúde pública global. Exemplos incluem o México, que proibiu recentemente a venda de ultraprocessados e produtos com excesso de açúcar, sal ou gordura nas escolas públicas, beneficiando mais de 34 milhões de crianças.
O relatório indica que países insulares do Pacífico apresentam as maiores taxas de obesidade, incluindo 38% em Niue, 37% nas Ilhas Cook e 33% em Nauru, motivadas pela substituição de dietas tradicionais por alimentos importados, baratos e energéticos. Países de alta renda também registram níveis preocupantes, como Chile (27%), Estados Unidos (21%) e Emirados Árabes Unidos (21%).
*Com informações da ONU News.










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