As versões genéricas do lenacapavir, medicamento injetável de prevenção ao HIV, devem estar disponíveis a partir de 2027 por cerca de US$ 40 (R$ 212) por ano em mais de cem países. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (24/09/2025) pela organização internacional Unitaid e pela Fundação Gates, que firmaram acordos com laboratórios farmacêuticos indianos para produção do genérico voltado a países de baixa e média renda.
Redução de custos em relação ao medicamento original
O tratamento original, comercializado pela empresa norte-americana Gilead Sciences sob o nome Yeztugo, custa aproximadamente US$ 28 mil por ano nos Estados Unidos. Segundo Carmen Perez Casas, responsável estratégica da Unitaid, a produção de genéricos representa uma conquista essencial para ampliar o acesso à prevenção do HIV, com potencial de reduzir a epidemia global.
Características do lenacapavir
O lenacapavir é o primeiro medicamento de longa duração para profilaxia pré-exposição (PrEP), exigindo apenas duas aplicações por ano, em contraste com tratamentos diários orais. A Gilead concedeu, em outubro de 2024, licenças voluntárias a seis fabricantes de genéricos, permitindo distribuição em 120 países de baixa e média renda.
Parcerias internacionais para produção de genéricos
Um dos primeiros acordos envolve Unitaid, Clinton Health Access Initiative e o instituto Wits RHI, com o laboratório indiano Dr Reddy’s, prevendo distribuição a partir de 2027. A produção será inicialmente realizada na Índia, com perspectivas de regionalização futura. A Fundação Gates também firmou parceria com o grupo farmacêutico indiano Hetero.
Impactos globais e próximos passos
Trevor Mundel, presidente da área de saúde global da Fundação Gates, ressaltou que medicamentos como o lenacapavir podem ajudar a pôr fim à epidemia de HIV, desde que sejam acessíveis às populações prioritárias. Dados da Unaids indicam que, apesar de uma redução de 40% nas novas infecções desde 2010, ainda houve 1,3 milhão de novos casos em 2024.
Enquanto os genéricos não chegam ao mercado, um acordo entre o Fundo Global e a Gilead permitirá envio do tratamento original a países de baixa e média renda, com apoio dos Estados Unidos, sendo previstas as primeiras entregas até o final de 2025 em pelo menos um país africano.
*Com informações da RFI.











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