O presidente francês, Emmanuel Macron, solicitou nesta segunda-feira (06/10/2025) que o primeiro-ministro Sébastien Lecornu permaneça no cargo e conduza negociações até quarta-feira (08/10/2025) para formar uma nova base de apoio político. Lecornu, de 39 anos, tornou-se o chefe de governo mais efêmero da história recente da França, permanecendo apenas 27 dias no cargo e sendo o sétimo premiê nomeado por Macron desde 2017.
A decisão ocorre após a dissolução da Assembleia Nacional em junho de 2024, quando o partido de Macron perdeu a maioria no Parlamento e passou a depender de coalizões instáveis. A instabilidade ameaça a aprovação de medidas legislativas e a condução do orçamento de 2026.
Motivos da demissão de Lecornu
O ex-primeiro-ministro justificou sua saída alegando falta de condições políticas para governar, motivada por três fatores principais:
1. Conflito com a composição do Parlamento
Lecornu apontou que os partidos agiam como se tivessem maioria absoluta, dificultando a condução de votações importantes, incluindo o orçamento de 2026.
2. Ambições partidárias
Segundo Lecornu, a composição do governo reacendeu interesses eleitorais partidários, dificultando a implementação de políticas de forma consensual.
3. Falta de reconhecimento
O ex-premiê afirmou que seu plano de submeter o orçamento ao plenário não recebeu respaldo necessário, gerando impasse político.
Opções de Macron diante da crise
Diante do impasse, o presidente francês possui cinco alternativas principais:
1. Nomeação de novo primeiro-ministro
Macron pode indicar outro chefe de governo, com destaque para Yaël Braun-Pivet, presidente da Assembleia Nacional, considerada neutra, mas com dúvidas sobre sua capacidade de consolidar apoio parlamentar.
2. Apoio da esquerda
O Partido Socialista se ofereceu para liderar um governo. O deputado Philippe Brun afirmou: “Estamos prontos para assumir responsabilidades. É hora de chamar quem venceu as eleições”.
3. Dissolução da Assembleia Nacional
Essa medida resultaria em novas eleições legislativas em até 40 dias. A extrema direita, liderada por Marine Le Pen, e parte da direita tradicional defendem essa alternativa.
4. Renúncia presidencial
Embora improvável, setores da oposição pedem que Macron renuncie, o que provocaria nova eleição presidencial, prevista pela Constituição francesa.
5. Destituição presidencial
A oposição avalia acionar um processo constitucional para destituir Macron, mas exige apoio de dois terços do Parlamento, algo improvável no cenário atual.
Reações da oposição e impactos
Após a demissão de Lecornu, líderes políticos reagiram rapidamente:
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Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, solicitou análise imediata da moção de destituição de Macron.
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Jordan Bardella, líder da extrema direita, pediu dissolução da Assembleia e novas eleições legislativas.
Os mercados financeiros reagiram com queda: o índice CAC 40 recuou mais de 2%, enquanto ações de bancos como BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole caíram entre 4% e 5%. O euro também desvalorizou 0,7%, cotado a 1,1665 dólar.
Consequências da instabilidade política
A instabilidade política pode afetar decisões econômicas e relações internacionais, incluindo comércio, cooperação e meio ambiente. Uma nova dissolução da Assembleia pode resultar em Parlamento fragmentado ou com maioria da oposição, aumentando o risco de polarização política e dificultando a aprovação de medidas governamentais estratégicas.
*Com informações da RFI.











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