Presidente Emmanuel Macron enfrenta nova crise política com demissão de Sébastien Lecornu e aumento da instabilidade na França

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu apresentou sua demissão ao presidente Emmanuel Macron, que a aceitou, segundo comunicado do Palácio do Eliseu. A saída, oficializada nesta segunda-feira (06/10/2025), agrava a crise política na França e encerra abruptamente um governo que havia sido parcialmente anunciado na noite de domingo. Após o anúncio, a Bolsa de Paris registrou queda de 2% nos primeiros minutos do pregão.

Governo de curta duração e pressão crescente

Lecornu havia sido nomeado em (09/09/2025) e enfrentava críticas intensas da oposição e da direita por causa da composição de seu gabinete. Este seria o terceiro governo em apenas um ano. O agora ex-primeiro-ministro planejava apresentar as diretrizes de seu mandato na Assembleia Nacional nesta terça-feira (07/10/2025), mas optou por renunciar antes da sessão, poucas horas antes de participar de seu primeiro Conselho de Ministros.

A decisão coloca em dúvida a capacidade de Macron de recompor sua base de apoio e formar um governo estável. Desde as eleições parlamentares de (06/2024), o bloco de centro que sustenta o presidente perdeu a maioria na Assembleia Nacional, fragmentando o plenário em três blocos polarizados que não chegam a um acordo sobre uma agenda comum.

Oposição reage e amplia críticas à composição ministerial

A composição do governo Lecornu provocou reações contundentes de partidos de toda a oposição, da esquerda à extrema direita. As siglas classificaram o gabinete como uma “reciclagem” e um “insulto à democracia”. O ex-ministro Bruno Le Maire, acusado de contribuir para o aumento do déficit público, foi realocado à pasta das Forças Armadas, o que gerou descontentamento generalizado.

O gabinete contava com 18 ministros, sendo 12 remanescentes do governo anterior. A escolha dos nomes foi interpretada como continuidade política, contrariando a expectativa de renovação. Diante disso, partidos anunciaram ameaças imediatas de censura. O vice-presidente da extrema direita, Sébastien Chenu (Reunião Nacional), afirmou que não via “outro caminho que não o da censura”. Já Olivier Faure (Partido Socialista) declarou que votaria pela queda do governo.

Chamados por dissolução da Assembleia e divisões na direita

A crise atinge o auge com pedidos de dissolução do Parlamento. O líder da extrema direita, Jordan Bardella, pressionou Macron a convocar novas eleições legislativas, argumentando que “não há estabilidade sem retorno às urnas”.

A instabilidade também se expandiu para a direita tradicional. O ministro do Interior, Bruno Retailleau (Os Republicanos – LR), afirmou que o governo não representa a “ruptura prometida” por Lecornu. Já Xavier Bertrand, líder do partido em Hauts-de-France, declarou que “não há condições de participar deste governo”.

Macron enfrenta isolamento e impasse institucional

Com a saída de Lecornu, o governo francês se encontra sem liderança efetiva, enquanto o presidente Emmanuel Macron busca alternativas para evitar um novo vácuo de poder. O líder do partido presidencial Renascimento, Gabriel Attal, criticou o cenário político, classificando-o como um “espetáculo aflitivo” da classe dirigente após o anúncio do novo gabinete.

A instabilidade ameaça paralisar decisões econômicas e legislativas nas próximas semanas, ampliando a percepção de fragilidade do governo francês e elevando a tensão entre os principais partidos da Assembleia Nacional.

*Com informações da RFI.


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