A Câmara dos Deputados realizou na terça-feira (25/11/2025) uma sessão solene em homenagem à 2ª Marcha das Mulheres Negras, ocasião em que deputadas e autoridades defenderam maior representatividade de mulheres negras em espaços de poder. O evento destacou que o fortalecimento da presença feminina negra em instâncias decisórias é essencial para enfrentar desigualdades estruturais e assegurar direitos.
Nesta edição, a Marcha adotou o tema “Reparação e bem viver”, com foco na reparação histórica e na promoção de condições dignas de vida para toda a população. A sessão, presidida pela deputada Benedita da Silva, relembrou que a parlamentar foi a primeira mulher negra eleita para a Câmara em 1982 e integrou a Assembleia Constituinte de 1988.
A deputada Talíria Petrone, uma das proponentes da homenagem, afirmou que a construção do futuro do país depende da participação ativa das mulheres negras no poder. Ela destacou que esse grupo enfrenta maiores desigualdades sociais, menores rendimentos, trabalhos mais precarizados e índices mais elevados de violência, incluindo feminicídio.
Representatividade e construção política
A coordenadora da bancada feminina, Jack Rocha, defendeu o aumento da presença de mulheres negras nos espaços institucionais como estratégia para garantir distribuição equilibrada de poder e formulação de políticas públicas efetivas. Para a deputada, a Marcha simboliza a disputa por um novo projeto de país com centralidade na agenda antirracista.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, reforçou que mulheres negras devem ser reconhecidas como cidadãs com direitos constitucionais garantidos. Ela afirmou que a reparação é um dever do Estado diante do impacto histórico da escravidão e das desigualdades acumuladas ao longo dos séculos.
A sessão contou ainda com a participação das ministras Macaé Evaristo (Direitos Humanos e Cidadania), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Márcia Lopes (Mulher), além de representantes de movimentos sociais engajados na defesa dos direitos da população negra.
Histórico e mobilização
A primeira Marcha das Mulheres Negras ocorreu em 2015, reunindo mais de 100 mil participantes em Brasília. A mobilização denunciou racismo, sexismo e violência, consolidando-se como marco de organização política das mulheres negras no país.
A edição de 2025 reafirmou essas pautas, destacando a necessidade de ampliar o debate sobre inclusão, reparação e reconhecimento institucional de direitos. As discussões reforçaram a urgência de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades raciais e de gênero.
*Com informações da Agência Câmara de Notícias.








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