CPMI do INSS: Presidente da Confederação dos Pescadores nega fraudes, mas enfrenta acusações de desvio de R$ 221 milhões e risco de prisão

Abraão Lincoln é investigado na Operação Sem Desconto e se manteve em silêncio diante de questionamentos sobre desvios previdenciários.
Abraão Lincoln é investigado na Operação Sem Desconto e se manteve em silêncio diante de questionamentos sobre desvios previdenciários.

Na segunda-feira (03/11/2025), o presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, negou que a entidade seja “fantasma” durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A CBPA é investigada pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, que apura descontos irregulares em benefícios previdenciários entre 2019 e 2024.

Estrutura e funcionamento da entidade

Aos parlamentares, Abraão Lincoln afirmou que a CBPA atua em 21 federações, com mais de 1.000 colônias e sindicatos de pescadores em todo o país.

Existimos. Na maioria dos estados há pesca artesanal e colônias filiadas à confederação”, declarou.

Segundo o presidente, a entidade possui sedes em 95% dos municípios onde há confederados e não mantém trabalhadores filiados diretamente, seguindo o mesmo modelo de outras confederações nacionais.

Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), no entanto, aponta que a sede da confederação funciona em uma pequena sala comercial e não dispõe de estrutura compatível com os 360 mil associados registrados. O documento indica que a CBPA não possui meios adequados de cadastramento ou prestação de serviços.

Direito ao silêncio e impasse na comissão

O depoimento de Abraão Lincoln foi amparado por habeas corpus concedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe garantiu o direito de permanecer em silêncio em questões que pudessem gerar autoincriminação.

Mesmo assim, o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), criticou o comportamento do depoente e afirmou que poderá solicitar prisão em flagrante por falso testemunho. Segundo o parlamentar, a CBPA teria recebido R$ 221,8 milhões em descontos irregulares de aposentados e pensionistas.

Devido às divergências entre parlamentares e a defesa, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu temporariamente os trabalhos para negociação com os advogados de Lincoln.

Crescimento de cadastros e suspeitas de irregularidades

De acordo com o relator Alfredo Gaspar, a CBPA foi criada em 2020 e firmou acordo de cooperação técnica com o INSS em 2022, quando ainda não possuía filiados. Em 2023, o número de cadastros aumentou de 4 para 196 mil em dois meses e, em 2025, chegou a 757 mil registros.

O relator destacou ainda que 99% dos aposentados e pensionistas vinculados à CBPA afirmaram não ter autorizado os descontos em seus benefícios.

“Até 2025, os valores movimentados somam R$ 221 milhões, obtidos em dois anos”, declarou.

Relações financeiras e vínculos investigados

Durante o depoimento, Abraão Lincoln confirmou ter dado procuração a Adelino Rodrigues Junior para movimentar contas da confederação destinadas à devolução de valores indevidos. O relator, no entanto, apontou transferências a terceiros, incluindo R$ 37 mil à esposa de um ex-procurador-geral do INSS.

Outros repasses, segundo a comissão, foram destinados às empresas Network, Plataforma Consultoria e Titanium Pay, todas relacionadas a investigados por fraudes previdenciárias. Lincoln afirmou que enviará documentos à CPMI para comprovar a legalidade das operações.

Envolvimento político e novas denúncias

Os parlamentares também citaram transferências de cerca de R$ 5 milhões da confederação ao deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA), vice-presidente da CBPA. O relator e o deputado Duarte Jr. (PSB-MA) sustentaram que Lincoln omitiu informações e mentiu à comissão, solicitando prisão por falso testemunho.

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) afirmou que o depoente estaria “protegendo pessoas envolvidas no esquema”. O presidente da CPMI informou que 99,5% dos filiados não reconheceram os descontos e que R$ 7 milhões serão devolvidos por meio de acordo firmado entre a Previdência e um banco.

*Com informações das Agências Brasil e Câmara de Notícias.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.