Com 1,2 bilhão de jovens em economias emergentes prestes a ingressar no mercado de trabalho na próxima década, o mundo enfrenta o desafio de criar apenas 400 milhões de empregos. O cenário é marcado por rápida urbanização, crescimento populacional e persistência da pobreza rural, enquanto muitos países ainda contam com riquezas naturais renováveis, como florestas, pesca e biodiversidade, capazes de gerar novas oportunidades econômicas.
Segundo o Banco Mundial, ampliar a criação de postos de trabalho sustentáveis é essencial para eliminar a pobreza e proteger o planeta, especialmente em nações que dependem de recursos naturais e enfrentam desafios de desenvolvimento rural.
Gestão sustentável de florestas é oportunidade para crescimento econômico
As florestas cobrem mais de 30% da superfície terrestre e representam um potencial significativo para gerar empregos, reduzir a pobreza e preservar o meio ambiente. Globalmente, o setor florestal emprega cerca de 33 milhões de pessoas, com impactos que se estendem além da própria cadeia produtiva.
Para cada 100 empregos florestais diretos, estima-se a criação de 73 postos adicionais em outros segmentos da economia. A lista inclui atividades de exploração sustentável da madeira, produção florestal não madeireira — como a colheita e o processamento de resinas, nozes e fibras —, além de serviços relacionados ao ecoturismo e à restauração de ecossistemas.
Mobilização global em torno de empregos verdes
O Banco Mundial atua em parceria com governos e com o setor privado para criar empregos de qualidade e ampliar as oportunidades sustentáveis em regiões com grande potencial florestal. A instituição investe na construção de economias florestais sustentáveis, com ênfase na restauração ambiental, na valorização das comunidades locais e na geração de empregos verdes.
Essas ações integram a agenda global de combate à pobreza rural e mitigação das mudanças climáticas, destacando a importância de alinhar crescimento econômico e conservação ambiental em políticas públicas e estratégias empresariais.
Brasil avança na silvicultura comercial e na restauração de ecossistemas
No Brasil, iniciativas voltadas à silvicultura comercial e à restauração de ecossistemas estão gerando empregos verdes e desenvolvimento comunitário. A região do Cerrado, que abriga cerca de 25 milhões de pessoas, é um dos focos principais dessas ações.
A Corporação Financeira Internacional (IFC), vinculada ao Banco Mundial, apoia um projeto de reflorestamento sustentável que prevê a gestão e restauração de 280 mil hectares de terras degradadas. Metade da área será destinada a plantações comerciais de madeira, enquanto a outra parte será voltada à recuperação de ecossistemas nativos.
Parceria busca unir sustentabilidade e retorno econômico
De acordo com o diretor de Sustentabilidade do BTG Pactual Timberland Investment Group, Mark Wishnie, a iniciativa busca demonstrar que a integração entre silvicultura comercial sustentável e restauração em larga escala pode gerar benefícios econômicos e ambientais, além de retornos financeiros para investidores e comunidades.
Os novos empregos decorrentes do projeto devem beneficiar principalmente populações rurais, contribuindo para o desenvolvimento econômico local e a valorização da biodiversidade brasileira.
*Com informações da ONU News.










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