A aprovação do plano de paz dos Estados Unidos para Gaza pelo Conselho de Segurança da ONU, nesta terça-feira (18/11/2025), marcou o início de uma nova etapa diplomática. A decisão cria bases para uma Força Internacional de Estabilização, reorganização administrativa do enclave e negociações que envolvem Israel, países árabes e o Hamas, que rejeitou o acordo. O processo avança sob disputas políticas internas em Israel e discussões técnicas sobre financiamento e governança do território.
A resolução obteve 13 votos favoráveis e abstenções de Rússia e China, garantindo autorização legal para entrada da força internacional, proteção de civis, desarmamento de grupos armados e organização de rotas de ajuda humanitária. O texto também estabelece uma governança transitória supervisionada por um “board of peace”, liderado pelo presidente Donald Trump, responsável por coordenar tecnocratas palestinos e a reconstrução do território.
O próximo passo envolve tratativas diretas conduzidas por Washington com governos árabes e aliados para definir o envio de tropas e a estrutura de comando da força. Países como Indonésia e Azerbaijão, segundo diplomatas norte-americanos, demonstraram disponibilidade para participar da missão. Em paralelo, Estados Unidos e Israel devem negociar a retirada gradual das forças israelenses, enquanto uma nova polícia palestina é treinada para atuar sem vínculos com o Hamas.
Diplomacia e coordenação operacional
Os dias seguintes à aprovação concentram esforços dos EUA na composição da força multinacional, considerada peça central para estabilizar Gaza. O comando unificado terá a função de coordenar operações humanitárias e garantir controle territorial suficiente para o início da reconstrução. Para isso, o Banco Mundial está em fase final de criação de um fundo fiduciário dedicado ao financiamento inicial do processo.
Ao defender a resolução, o embaixador norte-americano Mike Waltz afirmou que a proposta permite um “novo curso” para Gaza ao estabelecer mecanismos de segurança e gestão transitória. A fala buscou reforçar que a operação tem foco técnico e humanitário, não político, diante das divergências entre os membros do Conselho e dos países envolvidos no terreno.
Outro ponto de negociação será o posicionamento do Egito, responsável por parte das fronteiras do enclave. A participação egípcia na coordenação logística e na fiscalização de acessos é considerada estratégica para a entrada de suprimentos e para o monitoramento do cessar-fogo. A definição dessas funções deverá ocorrer em conversas mediadas pelos EUA.
Reação do Hamas ao plano
A resposta do Hamas ocorreu imediatamente após a votação. O grupo classificou a resolução como um “mecanismo de tutela internacional” e declarou que não aceita desarmamento nem a presença de forças estrangeiras em Gaza. A organização afirma que qualquer operação internacional deveria limitar-se às fronteiras para monitoramento técnico.
A rejeição coloca incertezas sobre a viabilidade do desmonte de arsenais e sobre a segurança interna necessária para o início da reconstrução. Analistas avaliam que a ausência de adesão do grupo pode aumentar o risco de confrontos durante a implantação da força internacional, afetando a logística e a proteção de civis.
A crítica principal do Hamas é de que o mandato da ISF compromete a neutralidade da missão ao atribuir funções operacionais que, segundo o grupo, poderiam favorecer Israel. Essa posição dificulta a formação de um ambiente político estável e amplia os desafios para a fase inicial do acordo.
Crise política em Israel
Em Israel, o plano gerou tensões políticas. O governo de Benjamin Netanyahu enfrenta pressões internas desde que o texto aprovado no Conselho mencionou a possibilidade futura de um Estado Palestino, ainda que não o estabeleça como objetivo imediato. Setores da coalizão governista ameaçaram deixar o governo caso Netanyahu não reafirmasse sua posição contrária ao tema.
O primeiro-ministro declarou que a objeção israelense à criação de um Estado Palestino “continua válida”. A afirmação ocorreu em meio ao aumento de incidentes na Cisjordânia, onde ataques de colonos – incluindo incêndios contra residências palestinas – seguem complicando os esforços internacionais para consolidar uma estratégia de estabilização em todo o território.
As tensões internas israelenses adicionam um componente político que pode influenciar prazos, limites e condições de participação de Israel na implementação do plano. Diplomatas avaliam que esse cenário terá impacto direto sobre a transição de segurança e o processo de reconstrução.
*Com informações da RFI.











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