A Organização das Nações Unidas afirmou nesta quarta-feira (19/11/2025) que a pressão crescente sobre o saneamento básico em diversos países ameaça saúde pública, segurança hídrica e dignidade humana, especialmente em regiões vulneráveis. A avaliação foi divulgada no Dia Mundial do Toalete, marcado pela discussão sobre a necessidade de investimentos estruturados para ampliar o acesso a banheiros seguros e resistentes a eventos climáticos extremos.
A ONU destacou que quase metade da população mundial ainda não dispõe de saneamento seguro, com impacto direto sobre mulheres, meninas e comunidades expostas a inundações, seca e erosão costeira. O organismo internacional reforçou que somente “sanitários preparados para o futuro” poderão conter doenças, proteger ecossistemas e reduzir desigualdades crescentes.
O secretário-geral António Guterres afirmou que o acesso a um toalete seguro é um direito essencial. Segundo ele, falhas de saneamento contribuem para mais de mil mortes infantis por dia, além de contaminarem água e solo e intensificarem emissões de gases poluentes.
Situação global e desafios estruturais
Na declaração oficial, Guterres lembrou que 1,2 bilhão de pessoas conquistaram acesso ao saneamento seguro na última década. No entanto, 3,4 bilhões continuam expostas, em razão de limitações econômicas, localização geográfica e barreiras de acessibilidade. Ele defendeu soluções resilientes ao clima, de baixo custo de manutenção e apoiadas por financiamento contínuo.
O secretário-geral chamou o toalete de “uma maravilha mundana” e reiterou que garantir acesso universal é uma questão de direitos fundamentais e de sobrevivência diante do agravamento dos eventos climáticos extremos.
Dados recentes e preocupação com mudanças climáticas
Os dados divulgados pela ONU mostram que 354 milhões de pessoas ainda praticam defecação a céu aberto, deixando populações inteiras vulneráveis a doenças e riscos de violência. A pressão sobre sistemas de saneamento resulta de fatores simultâneos: procura crescente, infraestrutura antiga, investimento limitado e impactos severos das mudanças climáticas.
Inundações, secas extremas e subida do nível do mar já danificam sistemas frágeis, afetando a qualidade da água e a continuidade dos serviços. A ONU estima que, sem mudanças profundas, 3 bilhões de pessoas permanecerão sem toalete seguro até 2030, exigindo um progresso seis vezes mais rápido no ritmo atual — e até 18 vezes nos países de baixo rendimento.
Investimentos urgentes e foco em populações vulneráveis
A campanha global deste ano reforça que investimentos imediatos são necessários para implementar soluções capazes de resistir a choques climáticos, operar em áreas urbanas e rurais e permanecer acessíveis independentemente de gênero, renda ou localização.
Segundo a ONU, políticas eficazes devem priorizar populações vulneráveis e garantir sistemas robustos. O acesso a toaletes seguros reduz doenças evitáveis, amplia oportunidades para mulheres e meninas, diminui faltas escolares e melhora a segurança física em comunidades isoladas.
A instituição reforçou que o compromisso deve ser coletivo. Governos, setor privado e cidadãos são chamados a agir para assegurar que uma necessidade humana permanente seja tratada com a urgência exigida pelo cenário global.
*Com informações da ONU News.










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