Relatório da ONU aponta que resfriamento sustentável pode reduzir emissões globais e gerar economia de US$ 17 trilhões até 2050

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou nesta terça-feira (11/11/2025), durante a COP30 em Belém (PA), o relatório Global Cooling Watch 2025, que indica que a adoção de estratégias de resfriamento sustentável pode reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa e gerar economia global estimada em US$ 17 trilhões até 2050. O estudo também alerta que a demanda mundial por refrigeração pode triplicar nas próximas décadas, impulsionada pelo aumento populacional e pela intensificação das ondas de calor.

Crescimento da demanda e impacto ambiental

De acordo com o relatório, a procura por sistemas de resfriamento pode mais do que duplicar as emissões de gases de efeito estufa até 2050, elevando-as para 7,2 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, mesmo com esforços de eficiência energética.

Para evitar esse cenário, o documento propõe o “Caminho para o Resfriamento Sustentável”, uma estratégia que combina resfriamento passivo, híbrido e de baixo consumo energético. A medida poderia reduzir as emissões projetadas em 64% e, associada à descarbonização do setor elétrico, permitir uma queda de até 97% nas emissões residuais.

Estrutura urbana e eficiência energética

A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou que o acesso ao resfriamento deve ser considerado infraestrutura essencial, ao lado de água, energia e saneamento. O plano inclui a criação de espaços verdes, edifícios resilientes e soluções de refrigeração de baixo impacto ambiental, com foco no acesso universal.

Se adotado globalmente, o caminho proposto pode evitar até US$ 26 trilhões em investimentos em infraestrutura elétrica e melhorar o acesso à refrigeração para mais de três bilhões de pessoas, especialmente em regiões de clima quente.

Iniciativas globais e cooperação internacional

O relatório está alinhado à iniciativa “Mutirão Contra o Calor Extremo” (Beat the Heat), liderada pela presidência brasileira da COP30 em parceria com a Cool Coalition, também do Pnuma. O programa busca fortalecer políticas de adaptação climática e incentivar soluções urbanas sustentáveis para mitigar os efeitos das altas temperaturas.

Mais de 185 cidades, incluindo Rio de Janeiro, Jacarta e Nairóbi, além de 83 parceiros institucionais, aderiram ao movimento. Setenta e dois países já são signatários do Compromisso Global pelo Resfriamento, que prevê metas de redução de emissões no setor até 2050.

Progresso desigual entre países

Segundo o Pnuma, 134 países incluíram ações relacionadas ao resfriamento em planos climáticos nacionais ou estratégias de adaptação, mas apenas 54 possuem políticas completas nos três pilares fundamentais: resfriamento passivo, padrões mínimos de eficiência energética e substituição de refrigerantes poluentes. Outros 78 países abordam parcialmente esses eixos, enquanto 20 ainda não iniciaram ações estruturadas.

O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, destacou que o esforço coletivo é essencial.

A Beat the Heat mostra que o mutirão funciona e depende da cooperação global para enfrentar o calor extremo”, declarou.

Resfriamento como bem público

O relatório recomenda que a proteção contra o calor e o resfriamento sustentável sejam tratados como bens públicos globais, com governança multinível e políticas permanentes, priorizando soluções baseadas na natureza. Essas medidas podem reduzir o estresse das redes elétricas, diminuir o efeito de ilhas de calor urbanas e aumentar a resiliência climática das cidades.

O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, afirmou que a capital cearense está incorporando a natureza como eixo de sua estratégia de adaptação climática, reforçando o compromisso com a iniciativa global Beat the Heat.

*Com informações da ONU News.


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