O Balé Teatro Castro Alves (BTCA) apresentará entre 29 de novembro e 5 de dezembro de 2025, o espetáculo “VERIVÉRBIO”, no Sesc Pelourinho, em Salvador. A obra, em processo final de construção, investiga a força da comunicação, da palavra e das linguagens que atravessam o corpo, com concepção, direção e coreografia de Michael Bugdahn e Denise Namura. A montagem aprofunda o intercâmbio artístico desenvolvido pelo BTCA nos últimos anos.
A criação parte da fala como expressão integral do corpo, indo além das palavras para abordar gesto, silêncio e escuta. O espetáculo propõe refletir sobre comunicação, diversidade linguística e relações contemporâneas mediadas por tecnologias. A dança funciona como extensão da linguagem verbal, operando sentidos que emergem mesmo na ausência da voz.
Os diretores convidados desenvolvem a obra a partir do diálogo entre múltiplas línguas, incluindo idiomas presentes no território brasileiro. A reflexão envolve também línguas em risco de desaparecimento e a perda cultural que acompanha esse processo. O projeto tensiona limites entre corpo e discurso, colocando em primeiro plano o impacto da comunicação e da não comunicação nas relações humanas.
Concepção da obra e processo criativo
Na construção de “VERIVÉRBIO”, Bugdahn destaca a abordagem da fala e da comunicação como eixo dramatúrgico. A montagem articula elementos de farsa, pausas, ritmos e gestos para construir uma dramaturgia corporal que dialoga com temas contemporâneos.
A criação também explora a diversidade linguística presente no Brasil, onde convivem centenas de línguas indígenas. O processo envolve a relação entre idiomas vivos, línguas ameaçadas e manifestações culturais que se expressam por meio da fala e da escuta.
A trilha sonora é majoritariamente inspirada em composições de Caetano Veloso, cuja abordagem poética da palavra reforça as investigações da obra. Os diretores ressaltam que a escolha amplia o diálogo entre som, significado e movimento.
Comunicação, corpo e contemporaneidade
A obra propõe reflexão sobre as práticas comunicacionais, incluindo aceleração das conversas e mediação tecnológica. A montagem aborda também a perda da escuta em relações sociais e a maneira como o corpo manifesta sentidos quando a palavra falha.
A proposta performativa articula gesto, ritmo e silêncio como elementos centrais. O BTCA reforça que a criação integra políticas continuadas de intercâmbio artístico e colaboração que o corpo está desenvolvendo.
O espetáculo será apresentado no Sesc Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, reforçando o diálogo entre dança contemporânea, artes cênicas e pesquisa linguística.
Trajetória dos criadores
Michael Bugdahn é bailarino e coreógrafo alemão radicado em Paris e cofundador da Companhia À Fleur De Peau. Desenvolveu cerca de cinquenta coreografias apresentadas internacionalmente, incluindo colaborações no Brasil e na Europa.
Denise Namura, bailarina brasileira radicada em Paris desde 1981, também é cofundadora da Companhia À Fleur De Peau. Criou e interpretou, ao lado de Bugdahn, obras apresentadas em diversos países, além de atuar como coreógrafa convidada e educadora.
O BTCA é corpo artístico do Teatro Castro Alves, vinculado à Fundação Cultural do Estado da Bahia e à Secretaria de Cultura da Bahia.











Deixe um comentário