A Ucrânia enfrenta seu maior escândalo de corrupção desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022. Nesta terça-feira (11/11/2025), o ministro da Justiça, Guerman Galouchtchenko, foi afastado do cargo após ser acusado de participar de um esquema que desviou cerca de US$ 100 milhões do setor energético nacional. A decisão foi anunciada pela primeira-ministra Ioulia Svyrydenko, em meio à pressão das autoridades anticorrupção.
Desvio milionário no setor energético
O caso envolve a operadora nuclear estatal Energoatom e é considerado um dos maiores episódios de corrupção desde o início da guerra com a Rússia. As investigações apontam que o esquema foi liderado por Timour Minditch, empresário próximo ao presidente Volodymyr Zelensky, e que os desvios ocorreram entre 2021 e 2025, quando Galouchtchenko chefiava o Ministério da Energia.
Segundo o Ministério Público Nacional Anticorrupção da Ucrânia, o ministro recebeu “vantagens pessoais” em troca do controle de fluxos financeiros no setor. Em sua defesa, Galouchtchenko declarou estar “de acordo com o afastamento” e afirmou que pretende se defender no tribunal.
Operação resulta em prisões e fugas
O Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) informou que cinco pessoas foram presas e sete se tornaram réus após um ano e meio de investigações. A operação, realizada na segunda-feira (10/11/2025), também incluiu dezenas de mandados de busca, inclusive na residência do próprio ministro afastado.
Contudo, o principal acusado, Timour Minditch, não foi detido. Segundo o diretor de investigações, Oleksandr Abakumov, o suspeito deixou o país pouco antes das buscas. Minditch é um dos fundadores da produtora Kvartal 95, criada nos anos 2000 por Zelensky antes de sua entrada na política, e teria usado “relações pessoais” com o presidente para facilitar os desvios.
Crise energética e impacto político
As revelações ocorrem em meio a uma crise energética severa na Ucrânia, agravada pelos ataques russos à infraestrutura elétrica, que provocam apagões prolongados às vésperas do inverno. O escândalo repercutiu amplamente entre a população e gerou críticas à gestão de Zelensky, especialmente diante da dependência do país de ajuda financeira internacional.
O episódio também reacende o debate sobre a independência das instituições anticorrupção, em meio a tensões entre o governo e os órgãos de controle. Kiev havia proposto a supervisão direta dessas entidades, o que gerou resistência da comunidade internacional.
Repercussão na União Europeia
A luta contra a corrupção sistêmica é uma das condições impostas pela União Europeia (UE) para a adesão da Ucrânia ao bloco. O novo escândalo pode comprometer o andamento das negociações, que já enfrentavam entraves devido à instabilidade política e à guerra em curso.
Diplomatas europeus ouvidos pela imprensa internacional afirmaram que o caso “põe à prova o compromisso de Kiev com as reformas exigidas pela UE”. O governo ucraniano ainda não divulgou um plano oficial para recompor a equipe ministerial e restaurar a confiança dos parceiros internacionais.
*Com informações da RFI.








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